Conversamos com o 1º CTO do iFood: Juliano Dutra | PPT Não Compila Podcast
Convidados
Juliano Dutra
CTO @ iFood
Neste episódio incrível do Podcast PPT Não Compila temos o prazer de receber Juliano Dutra, o primeiro CTO do iFood, para uma conversa reveladora sobre os bastidores da gigante do delivery. Juliano compartilha a emocionante jornada de como transformou uma operação de pedidos por fax em uma das maiores startups de tecnologia do mundo. Descubra os desafios enfrentados na escalabilidade, as inovações tecnológicas implementadas e como eles superaram cada obstáculo para colocar o iFood no topo! Com a apresentação de Wellington Cruz e o co-host Rômulo Barbosa, este episódio mergulha profundamente nas estratégias de crescimento, na importância de pensar grande e em como a cultura de uma startup pode ser um diferencial competitivo inigualável. Além disso, abordamos a época sem smartphones e como a adaptação tecnológica alavancou o iFood para novos patamares. 🚀 Se você quer entender mais sobre inovação, transformação digital e o cenário de startups no Brasil, não deixe de conferir! Inscreva-se no canal para mais conteúdo inspirador, comente e compartilhe este episódio com seus amigos! Vamos juntos explorar os segredos do sucesso do iFood! 🌟✨ #Podcast #PPTNãoCompila #iFood #Startup #Inovação #CTO #Tecnologia #TransformaçãoDigital 0:49 Abertura e apresentação 7:47 Trajetória profissional 15:22 Inovação em grandes empresas 20:30 Cultura de experimentação 27:19 Startup Gringo 35:54 Diferença entre anos no setor de startups 46:59 Atuação na área de tecnologia 56:45 Stack inicial do iFood 1:04:53 Desafios enfrentados 1:21:28 Ferramentas e tecnologias utilizadas 1:24:28 Uso de Open Source 1:34:15 Startups e uso de IA 1:45:32 Dicas para empreendedores e visão sobre mercado atual 1:56:18 Agradecimentos e considerações finais Convidados: Juliano Dutra : linkedin.com/in/julianodutra/ Spotify: https://sptfy.in/xm2q Youtube: https://youtu.be/H5rwhnClKyM Outras plataformas: https://linktr.ee/pptnaocompila Acompanhe nas redes Instagram e Twitter: @pptnaocompila LinkedIn: https://www.linkedin.com/company/pptnaocompila Produção: Voz e conteúdo | https://www.vozeconteudo.com.br - @estudiosvoz
- Filosofia de Desenvolvimento e Agilidade
- Reflexão sobre Empreendedorismo e Evolução Tecnológica
- Abertura do Podcast e Engajamento da Audiência
- O Cenário do Delivery Antes do iFood
- A Revolução do iFood e Apresentação do Convidado
- A Essência do Empreendedorismo e Agenda da Entrevista
- Chamadas para Ação e Comunidade
- Início da Jornada do iFood: O Contexto
- Trajetória Profissional de Juliano e Busca por Escala
- Primeiros Desafios em Startups e o Disk Cook Analógico
- Funcionamento e Desafios do Disk Cook
- Criação do iFood: Da Inovação Analógica ao Digital
- Vantagens Competitivas de Startups: Ousadia e Velocidade
- Agilidade em Empresas: Lancha vs. Titanic e Jet Skis
- Desafios da Inovação em Grandes Corporações
- Patrocínio: Clever
- Cultura de Experimentação e 'Do Things That Don't Scale'
- A Nova Lógica da Inovação: Aquisição de Startups
- Transição de Juliano do iFood para a Gringo
- A Gringo: Super App para Motoristas
- Piloto e Investimento na Gringo: Poder do Networking
- Validação de Ideias Únicas e Desafios de Investimento
- Comparativo de Mercados e o Papel do CTO
- Evolução do Ecossistema de Startups
- Qualificação Profissional e Gestão de Equipes
- Debate sobre Metodologias Ágeis
- Patrocínio: VMBERS
- Experiência na Gestão de Projetos e Burocracia
- A Transição do Programador para Líder Técnico
- Liderança, Engajamento e a Cultura de Squads
- O Código do iFood: Inovação e Refatoração
- A Stack Tecnológica Original do iFood e Desafios
- O Valor do Gestor com Conhecimento Técnico
- iFood Logistic: Desafios da Logística em Tempo Real
- Soluções Tecnológicas para Escalabilidade em Logística
- Gerenciamento de Crises e Estresse em Operações Críticas
- O Preço do Sucesso e a Busca por Qualidade de Vida
- Evolução Contínua e Reinvenção na Carreira
- Paciência e Consistência no Empreendedorismo
- Agnosticismo Tecnológico e Adaptação
- Padronização e Justificativa de Tecnologias
- Preferência por Open Source e Cenário de Hosting Antigo
- Tecnologia: De Barreira a Commodity no Empreendedorismo
- O Foco no Negócio na Era da Tecnologia como Commodity
- Visão Centrada no Usuário vs. Técnica Pura
- IA como Acelerador da Produtividade em Startups
- Eficiência de Negócio vs. Eficiência Técnica com IA
- Superando a Resistência à IA: A Metralhadora do Conhecimento
- A Experiência Pessoal com IA como Ferramenta de Produtividade
- O Impacto Transformador da Cloud Computing
- Desafios de Escala Extrema do iFood Antigo
- A Rápida Evolução do Cenário Tecnológico
- A Inesperada Ascensão do iFood
- Convite para Próximos Capítulos e Dicas para Empreendedores
- O Cenário de Investimento para Startups Atualmente
- O Poder de 'Pensar Grande' no Empreendedorismo
- Agradecimentos Finais e Encerramento
Não adianta você querer fazer uma plataforma, já que com escala de milhões, é, que seja hiper segura, hiper escalável, eu já coloco os requisitos funcionais lá na lua e faz com que o projeto ande devagar. Eu acredito muito na velocidade.
>> Em vez de estar amarrado com ser humano, com abraço, seria um povo com oito braços amarrados de cima da plataforma, né? Então, eh, resolver isso de uma forma mais >> transparente.
>> Eu não tinha clareza se eu voltaria a empreender, porque foi muito assim, é como se eu já tivesse entregue toda a minha vida ali, já deu, já tô financeiramente resolvido. Pronto. Isso é até perigoso, né? Porque, cara, a tecnologia vai evoluindo muito, como você falou, eu eh eu trabalhei na San, que foi um dos criadores do Java, né? E na época, aquela época, realmente o Java era muito usado, mas era pesado. Muito bem, muito bem, meus amigos do PPT, não compila. Hoje o nosso querido amigo host eh Wellington tá sem voz e eu vou fazer a abertura hoje do desse episódio que vai ser incrível. Eh, mas antes de mais nada, se você não curtiu, curta o canal, mande pro seu amigo, compartilhe. Se você não faz parte do programa de incentivo, não, programa de >> dos membros.
>> Dos membros. Isso é membros. Olha, a gente vai em breve vamos lançar programas aqui para quem é faz parte do do programa de de membro do PPT no Compila. Foi, foi um bom cosplay, viu Ron? Acho que a gente consegue, acho que a gente consegue fazer essa abertura bem. Obrigado meus amigos que estão ouvindo a gente aqui. Eu estou um pouco sem voz aqui, então eu não conseguiria fazer o nosso muito bem, muito bem habitual. Pedi aqui pro nosso amigo OM fazer a abertura e tô aqui. Acho que dá para tocar o episódio, né? Tô com meio pato don aqui, meio sem sem voz. Eh, mas eu não vou cantar, né, Rom? Então, acho que dá para fazer, né?
>> P não, vamos embora. Vamos embora.
Dá para fazer, dá para fazer aquele bordom estridente e tal, mas acho que a gente consegue fazer.
>> Então, você que tá com a gente aqui, se você ainda não deixou o like, não curtiu depois dessa abertura fenomenal do nosso amigo Rom, por favor, >> treinar mais, >> aproveite aqui, deixe o seu ROM. Cara, hoje a gente tem um episódio muito bom para fazer, hein, Rom?
Como é que chega a comida na tua casa?
Cara, tem uma marca muito grande, muito forte, que você você é vermelhinho, que tem um logo que tem um sorrisinho que chega bem, chega bem.
>> Como é que começou essa parada?
>> Será que tinha cloud naquela época, Canal?
>> Eu não sei. Provavelmente não.
>> Tinha Node >> não. Provavelmente não, né? Eu lembro que nessa época eu era moleque e eu pedia pela pizzaria.
>> É, ele também ligava na pizzaria também.
>> Ligava na pizzaria e e geralmente dava ocupado para um [ __ ] >> É. Ou você tinha que ir lá pessoalmente, aí ficava 20, 30 minutos, aí que você encontrava um amigo isso é, então até você comer a pizza já passou umas horas, né? E hoje a gente tá aqui com o cara que foi um dos primeiros a consolidar essa ideia. O cara que criou o iFood ou um dos que criou o iFood, >> foi o primeiro City, >> primeiro CTO ali do do iFood que deu origem a essa parada. E a gente vai entender aqui como que começou essa parada, né, cara? Olha, olha que que [ __ ] Uma dos grandes unicórnios do Brasil atualmente que fez uma revolução de tecnologia. A gente vai falar sobre isso, sobre passar de mídia de computador para celular, etc. A gente vai ter uma jornada sobre isso. Mas como que nós profissionais de tecnologia podemos aprender sobre isso, né, cara?
Como foi essa jornada? Juliano Dutra, >> o cara do iFood. Tudo bem, cara?
Obrigado por vir aqui compartilhar. Fala um pouquinho sobre você, velho.
>> Fala, seus malucos.
Bordão por bordão, tem que falar o meu também.
>> Isso. Obrigado por Obrigado por >> E o maluco é porque para empreender tem que ser maluco, ainda mais no Brasil, né? Então isso aí é doideira, é loucura com doideira.
>> E ainda é com modelo de negócio como efood. Aí, cara, isso tem um multiplicador aí também, né?
>> E técnico, né? e técnico.
>> Exato. Vamos falar sobre isso. Muito obrigado pelo convite. Vai ser um prazer trocar essa ideia sobre e tô à disposição.
>> Isso aí, cara. Obrigado por aceitar o o convite do Pato Donald aqui, né? Junto com o meu amigo. Qual que é o personagem da Hana Barbera, que é careca?
>> Putz, cara, não assisti.
>> Patolino. Vai, vamos falar.
>> Obrigado por aceitar aqui. E cara, hoje a gente vai falar sobre umas coisas muito legais. Primeiro, eu quero falar com esse cara aqui sobre esse mercado de startup, sobre validação de ideias, como que foi investir numa empresa na nesse começo ali, como que ele conheceu o iFood, como que isso essa ideia aconteceu, mercado de startup, etc. E depois na segunda parte, Rom, a gente vai pegar esse cara e vamos ver se ele é técnico mesmo.
>> Vamos ver se ele escovava bit mesmo.
>> Vamos ver. Esse cara falou que ele é formado na Unicampção.
Então vamos ver se ele realmente fez o stack do do iFood, como é que isso aconteceu, que eu estou, cara, louco para conhecer aqui como que isso aconteceu. Juliano, acontece pra gente, né, cara?
>> Manda a provinha aí que eu gabarito.
>> Esse papo aqui vai ser muito bom. Se você quiser interagir com a gente, fazer uma fazer alguma pergunta, etc., A gente vai deixar aqui os comentários, a gente repassa pro pro Juliano. Tem alguma curiosidade sobre a origem do Food? Como foi iniciar essa tecnologia do Hoje um dos maiores unicórnios do Brasil? Então você tem hoje esse canal aqui no PPT no Compila para perguntar para esse cara que foi o primeiro CO, o cara que idealizou aí a tecnologia do do iFood para pra gente trocar essa ideia.
Olha que legal, a gente faz isso aqui porque a gente gosta dos nossos ouvidos, né? e e quer gerar valor, quer gerar conhecimento, né? Quer eh mostrar um um lado de novo, eh a essência do PPT no compila, né? Como é que é na prática, né?
>> Isso. Sem PPT, como é que a coisa funciona na prática? Então, Jan, obrigado novamente por estar aqui com a gente, cara. Vamos lá que o Visor tá muito bom. Mas antes, se você não deixou o seu like depois dessa surpresa aqui do nosso convidado, você tem essa oportunidade de fazer agora antes de começar. Like se você não é inscrito, caiu aqui de para-quedas porque tem as palavraschaves, etc. Que a gente fazção né? Então, então se inscreva no canal.
Qualquer dúvida, pergunta, deixe o comentário. E se você acha que o nosso trabalho agrega algum tipo de valor para você, se você acha que a gente contribui com a sua vida profissional, seja membro do PPT no Cupila. Se você for membro do PPT no Cupila, vai ter PPT pare. Sabia disso? Pô, isso é uma novidade. Vamos ter PPT pare. A gente vai ter uma festa do PPT no CPI e você pode ir lá conversar com os nossos convidados ao vivo, trocar uma ideia. Só você trocar uma ideia aqui com o Juliano, >> falar: "Porra, como é que tu ia na sala de guerra no futs?" Pode ir lá. Então, seja membro. Se você for membro do PPT no Cobila, você corre o risco de tomar cerveja com a gente.
>> Então, vamos lá. Se você não pode contribuir dessa forma, você já contribui muito distribuindo o nosso episódio, fazendo a nossa comunidade crescer e chega de churumelas. Vamos lá, porque eu tô doido para perguntar umas coisas para você.
>> Bora também, eu tô curioso também.
>> Bora.
[Música] [Aplausos] Não tem como começar esse episódio sem perguntar para você, Juliano, como era a vida antes da gente conseguir pedir comida em qualquer lugar pelo celular e da onde veio essa ideia?
Como é que começou essa parada?
Primeiro, quem é o Juliano e onde ele entrou nesse negócio?
>> Vou começar por por mim. Sou marido da Milena, 25 anos casados. Tenho duas meninas, Eduarda de 9 e Rafa de 7. E a minha trajetória são 30 anos em tecnologia. Então, desde os 16 eu abri minha primeira empresa no primeiro ano da internet no Brasil. Então, fui pioneiro nisso, criando site numa época em que ninguém nem sabia o que que era internet, muito menos site. E lá tava eu tentando vender, vender isso, vender o conceito. E daí depois disso eu fiz Unicamp, me formei em ciências da computação e incubei uma empresa dentro da da Unicamp. Daí como que isso se conecta com a história do iFood? Eh, eu e o meu sócio Gabriel, a gente se tornou bom em fazer software. A gente ficou 15 anos com uma empresa de serviço. E essa empresa a gente fez sistemas para Tetrapac, Chevrolet, Nestle, algumas grandes empresas. Levou bastante tempo pra gente chegar nas grandes empresas.
Fazia sisteminhas bem eh pequenos. A gente trabalhou um pouco educação, ensinar os outros, já que ninguém contratava a gente, a gente vendeu treinamento.
Até que a gente conseguiu um grande case e esse desdobrou os demais.
Com isso, a gente criou uma empresa que ela ficou lucrativa, ela crescia ano após ano, só que é uma empresa de serviço, então não, ela ela não tinha escala, >> ela só crescia, né, mas não escalava.
Então eu e meu sócioso falamos: "Cara, vamos entrar num mercado mais escalável, que é o de startup, de produto". Aí a gente fez uma série de iniciativas e deu tudo errado. E eu, na mentoria que eu tenho feito agora, eu bato muito nessa tecla que toda a minha experiência de empreendedor de 15 anos não me preparou, não, não, não foi suficiente para me preparar pra jornada de startup, que é outro mundo, é um outro bicho. Então é a mesma coisa de você jogar futebol e querer jogar basquete. São dois esportes diferentes. E eu me lasquei nessa jornada. E uma das coisas que eu que eu percebi junto com o Gabriel é que fazia sentido a gente entrar num mercado a em aliança com alguém que dominasse ele.
>> Tem o conhecimento de negócio >> do mercado, porque senão além da gente tentar acertar o futuro, a gente estaria fazendo muitas inferências em relação ao mercado. E daí eu conheci um, eu já conhecia da época de faculdade uma das pessoas que tava trabalhando numa empresa chamada Disk Cook e ela é o o iFood analógico, o iFood das cavernas.
Como que ele funcionava a ideia?
>> IFood do Paleolítico.
>> Do Paleolítico. Olha só como que era.
Isso. Responde muito como era pedir comida antes da Food. Foi sua pergunta.
Era um, tinha um cardápio impresso de vários restaurantes, era uma revista. A pessoa folhava, escolhia os pratos de diferentes restaurantes, ligava num call center por por telefone, fazia o pedido.
Daí uma central pegava esse pedido, >> é tipo uma revistinha do Avon de comida >> de vários restaurantes. Tinham tinham dezenas de restaurantes. Fazia um pedido, inclusive dava para pedir uma pizza junto com japonês, assim, estilo iFood mesmo.
>> Aí o atendente ligava pros dois e mandava entregar junto. Tipo isso, >> só é mais do que isso, assim, se ele ligasse perderia um pouco a lógica, né?
que um ligou e o outro liga de novo. Eh, era por fax essa.
>> Ah, passava um fax. Ah, então era muito mais tecnológico do que eu imaginava.
>> Modíssimo. E quase não usava pessoas essa operação, quase não tinha gente.
>> E para avisar o motoboy era rádio Nextel, era igual o funcionamento era igualzinho rádio táxi.
>> Caraca, cara.
>> Então, era uma operação que funcionava no fim, era igual iood.
>> Uhum.
>> Só que totalmente analógica e não escalável. E daí esse pessoal, dentre eles, o Patrick, que foi o criador dessa empresa de Skicook, ele ele percebeu que vinha uma onda da tecnologia e que esse negócio ia morrer. E esse negócio era razoavelmente grande. Tinham tinham clientes como Pizza Hut, Bobs, Fifts, grandes empresas. Em geral eram empresas premium porque eh senão você não consegue justificar o valor do delivery. Você não consegue entregar um McDonald numa estrutura tão cara com tanta gente se o ticket é baixo. Então o ticket tinha que ser maior. Eram restaurantes de R$ 200. Eh, ticket de R >> para justificar aquele cuidado e a entrega, etc.
>> Exatamente. Então, já existiu uma rede de restaurante, uma rede de clientes premium, já existia uma estrutura e daí falou: "Agora eu quero colocar tecnologia aqui". Só que como ele não era da área, eh, deu tudo errado. Tentou fazer o iFood, deu errado. Tentou de novo, deu errado. Daí quando eu e o meu sócio entramos, a gente, eh, a gente entrou para ser ex parceiro de tecnologia e na sequência a gente virou sócio. E e a minha lógica, ela é muito pragmática, que eu aprendi ao longo do tempo. Quando chegou lá o projeto do iFood, a gente vai fazer em três meses.
Falou assim: "Como que vai fazer esse projeto em três meses?" Não, em três meses. A lógica de startup que eu acredito muito é você tem que colocar um prazo curto para que você seja super pragmático e faça o que precisa ser feito.
>> Uhum.
>> Porque se você tem muito tempo, você começa a firular, né, >> e coloca a feature desnecessária e começa a ficar penteando macaco, como eu gosto de brincar. Não, eh, eh, você perde, se perde nas distrações. E daí, como a gente colocou um prazo curto, a gente conseguiu lançar, obviamente, com um monte de coisa faltando, mas é assim que funciona, né? Uma vez que lançou, melhoria contínua >> incremental, né?
>> Exatamente.
>> Então, você olhou para aquela operação que era analógica e aí você pensou: "Como que eu automatizo isso para trazer exatamente o que o cara já faz hoje, né?" Exatamente.
>> Sem ter que, como você falou, criar a firula, etc.
Então, não é uma melhoria, é uma um replataform, digamos assim.
>> Você vai pegar aquilo, levar, vou levar isso do analógico e vou levar pro pro digital.
>> Mas mantendo o processo, até porque a fricção é menor, né? Exato. E até pegando gancho com a na área de tecnologia, eu acredito muito em dar passos eh graduais eh gradual, que é uma escadinha. Não adianta você querer fazer uma plataforma já que com escala de milhões, é que seja hiper segura, hiper escalável. Você já coloca os requisitos funcionais lá na lua e faz com que o projeto ande devagar. Eu acredito muito na velocidade. Eu com o tempo daí comecei a estudar muito sobre startup e cheguei a uma conclusão bastante eh clara na minha mente, que é a startup, ela só tem duas vantagens competitivas que elas estão correlacionadas, que é a ousadia e velocidade.
Pensa o Nubank quando começou e o Itaú, quem tinha mais dinheiro, Itaú. Quem tinha mais marca, Itaú. Quem tinha mais canal de distribuição, Itaú. Quem tinha mais pessoas, mais talento, Itaú, >> dinheiro, >> tudo, tudo, todos os recursos, parceiros, tudo o Itaú tinha mais. O que que o Nobank tinha? A ousadia, começar pelo nome Nu, né? As pessoas já hoje nem lembra mais, mas é um banco chamado Anu, né? É, é bem, já é bem ousado. E a, e a velocidade com que eles colocavam as inovações para rodar. Então, por isso eu acredito que uma startup, se ela começa a firular demais, ela começa a querer fazer as coisas perfeitinha demais, ela perde o uma das grandes vantagens competitivas.
>> Sim, é o que eu sempre comparo, você dá cavalo de pau com Titanic com uma lancha, né? É muito mais fácil você pivotar, ser mais ágil e realizar com com uma lanchinha ali ágil do que com um Titanic. Quanto mais você cresce, mais pesado você fica e mais difícil é é reagir ao mercado, é você ter eh conseguir lançar novos produtos, ter novas características, né? E a lanchinha ela consegue desbravar mares mais rápido do que o Titanic, né?
>> Inclusive esse conceito, não sei se você já ouviu, e no iFood usa o conceito do jet ski. O que que é o conceito?
Exatamente isso que você falou. O iFood virou um Titanic hoje, então transatlântico, então ele anda lentamente, mas como que você inova? Daí existem times dentro do iFood que são chamados de jet ski para fazer eh coisas ágeis. Exato. Então dentro do core ali do iFood tem que ter governança, tem que ter cuidado. Aí tu as as eh o funcionamento de uma empresa tradicional grande.
>> Agora os projetos novos eh aí é vamos de qualquer jeito, vamos no caos, vamos testar, vamos leve. Então essa chama a chamada ambidestria, né? Uhum.
>> Você tem que cuidar do presente com bastante governança, mas deixar o futuro correr solto com muito teste, caos, o caos criativo, né, para você garantir o futuro. senão a empresa >> e o que muitas empresas erram, né, Juliano, principalmente as grandes, né, ou elas inessam as iniciativas ou elas abrem a governança do core delas e aí você começa a ter uma série de problemas naquilo que você que é estável, que mantém a recorrência.
>> É que eu também acho que tem um fator, eu tenho a impressão que tem um fator medo também, né? Eu acho também eh uma startup, cara, você até mais tolerante ao risco, né? a perder, digamos assim, né?
>> É, é uma empresa grande já é mais complexo, né? E então eu tenho a impressão também que tem um medo que impede também muita iniciativa nas >> concordo, mas tem um jeito de de mitigar esse medo que é fazendo testes pequenos.
É, é nesse ponto que eu acho que a grande empresa muitas vezes falha, >> porque obviamente uma empresa que tem milhões de usuários, ela não pode submeter esses milhões de usuários a um produto inacabado, experimental. Imagina o caos no atendimento, no reclame aqui que pode dar, mas você pode pegar 1% dessa base, 5% e ir testando. E >> inclusive fazer teste AB de alternativas, etc.
>> Inclusive, eu sou muito favorável a deixar claro que é um piloto falando assim, ó, você foi convidado para testar uma feature beta aqui. Você tá aquele sentimento, eu sou uma cobaia, mas que legal, eu sou o primeiro a testar. Então você até diminui o peso do erro, que a pessoa vai querer ajudar, então depois da experiência ela tá mais apta a dar feedback. Então tem como, mas eh eu já ouvi muita desculpa assim do tipo: "Ah, mas a nossa reputação, a nossa marca e tal". E eu acho que todas essas eh desculpas acabam sendo falácias que atrapalham a inovação. Então eu sou favorável a testes pequenos. Eh, são os danos controlados. Então, deu errado, deu errado, mas é num universo pequeno.
E outra coisa também que eu aprendi muito sobre erro é nunca é sobre o erro, é o que você faz com erro. No no gringo, a depois a gente vai explicar um pouco da empresa, mas basicamente a gente tava entre o cliente e o Detran. Então imagina, né? Não é uma relação fácil.
Muitas vezes as coisas davam errado, nem era por nossa responsabilidade.
Só que o cliente quando você chega para ele, fala, reconhece o erro, pede desculpa, é vulnerável e e ajuda ele, tá junto com ele no problema, ele reconhece isso. Tanto que o nosso reclame aqui, a gente ficou entre os três e top três do Brasil, de todas as categorias, num mercado extremamente difícil, porque não é sobre o erro, é sobre o que você faz com ele.
>> Sim. Como você reage a ele, né?
Quero falar com você agora que ainda não conhece a Clever. Clever é uma empresa que já tem mais de 3 milhões de usuários em 30 países com 30 idiomas diferentes, que tem trazido soluções em blockchain, criptomoedas e ativos digitais. O objetivo da Clever é te dar liberdade financeira para operar nesse mercado de cripto. Então, se você acredita nisso, se você acredita nessa liberdade, você já pensa como a Clever, vai conhecer os caras, é clever. estão contratando também pessoal para trabalhar com cripto, com blockchain. Então, se você tem interesse, se você tem conhecimento nessa área, procura a Clever. Se você gosta de criptomoedas, se você opera no mercado, você precisa conhecer a Clever, precisa conhecer as soluções da Clever.
Então, o endereço tá aqui embaixo no vídeo. Para quem não tá no YouTube, é clever. Vai lá, vai conhecer que realmente é um mercado sensacional.
Mas aí, cara, é muito legal essa essa reflexão que você fez sobre eh experimentação e etcmento de que é realizado hoje, né? Porque a gente tem uma uma cultura nas empresas que são maiores hoje que não leva essa cultura de experimentação, né? geralmente é um executivo dentro do pedestal dele que fala: "Faça assim, que eu sei que assim funciona, >> né?" Então, essa questão de você experimentar e de você ter eh essa base de de conhecimento para poder tomar essas decisões mais rápido, né? Não importa se vai dar errado ou não. E e quando eu falo isso, falo do ponto de vista de produto, falo do ponto de vista de tecnologia também, né? Porque não adianta você enfeitar e fazer um MVP escalável se aquele MVP pode ser que não funcione, né, que e que não vá pra frente, não é verdade?
>> E tem um tem um conceito do Vale Paul Grahan fala desde 2013 e é um conceito que para mim é uma é uma grande diferença entre a grande empresa e a startup. É o Dofs, that don't scale.
Fazer as coisas que não escalam. Isso parece contrainttuitivo. Fala assim: "Pô, mas eu criei uma empresa para ser escalável, uma startup para ser escalável de fato, mas ela começa não escalável". Pegar um exemplo dentro do gringo, a gente no começo, para entender os usuários, a a qual era a dor real, o que que a gente fez? criou um aplicativo super simples que não resolvia muita coisa, mas tinha um botão pro WhatsApp ali que a gente colocou, chama o gringo.
Isso acabou gerando uma relação empática, porque as pessoas procuravam a gente e além disso, a gente teve a oportunidade de interagir com milhares de usuários e entender o que eles pensam, quais são as dores, aonde estava o dinheiro, quais eram as preocupações.
E todos os fundadores é atenderam milhares de clientes e isso trouxe uma percepção muito maior e uma empatia muito maior pelo usuário. Isso não escala o fundador responder no WhatsApp, só que isso deu uma base pra gente construir o produto. E daí você pensa assim, eh, e na sequência do gringo, né?
Daí teve um momento onde a gente tava com 100 milhões em caixa, mais do que isso, de um investimento que a gente tinha recebido e a gente tava entrando em seguro. E daí o que a gente falou pro time, não vai criar tela, não vai criar funcionalidade, vai abrir um botão, pegar uma pequena amostra dos nossos usuários que querem seguro, falar: "Você quer seguro? Chama o gringo". Vai conversar com ele, entender. E você vê que sutilezas e vem à tona.
O termo franquia não é óbvio para quem nunca contratou seguro. Daí eu chego o corretor e fala assim, ó, franquia de R$ 2.000. Que que é franquia? Eu não tô querendo abrir uma franquia.
>> Eu não quero abrir negócio nenhum, eu quero seguro pro meu carro.
>> É, eu não quero abrir uma franquia. E você vê que não existe uma preocupação nem com as terminologias que são usadas.
Então, eh, aquilo que é óbvio para todo mundo do setor ou para alguém que já consome seguro, para um usuário novato, é um mistério.
>> Então, quando você conversa genuinamente, você começa a descobrir as oportunidades de como reformatar o produto, como você atender ele genuinamente. Então, eh, essa é uma dificuldade que a empresa grande tem.
Mas tem uma outra coisa ligada a isso que com o tempo ficou mais claro para mim. O que que aconteceu? O mercado de inovação migrou.
aonde estavam as grandes inovações tempos atrás, umas duas décadas atrás, elas estavam dentro dos centros de pesquisa e desenvolvimento das grandes empresas, né? Igual a Sherox é dentro de um centro dela que criou o mouse, daí você tinha o centro de PID da Kodak, que foi onde surgiu a máquina fotográfica digital e eles não usaram.
>> Fica a dica, viu, gente? Poucas pessoas sabem dessa história, mas a máquina digital nasceu na própria Kodak >> e eles e mataram a inovação no berço porque ela era, ela ofendia o próprio negócio, né? Então o que que acontece? A inovação tava lá dentro. Agora, onde estão as inovações? nas startups. E isso é interessante porque a grande empresa hoje, ao invés de, muitas vezes, ao invés dela tentar inovar, ela prefere fazer esse screening, ficar olhando o mercado, >> namorando as startups >> e a hora que uma delas dá certo, vai lá e compra.
>> Uhum.
>> Então, ao invés de usar o poder econômico dela para criar grandes laboratórios e tentar acertar inovação, ela usa esse mesmo dinheiro para comprar startup. Isso é bom porque faz o o mercado girar, porque a startup ela só existe porque alguém compra ela.
>> Uhum.
>> Precisa ter uma saída. Eu crio uma inovação. Essa inovação, obviamente, um dia vai dar dinheiro, mas o o final de uma empresa é um IPO, que é raro no Brasil, ou ela vira uma empresa lucrativa, ou ela é comprada por uma grande empresa. E esse é o caminho mais natural, porque essa compra que paga os investidores, que remunera o tempo dos empreendedores que se dedicaram à aquilo. Então, de certa forma, a empresa grande, ela tá envolvida no ecossistema de inovação, mas agora de outra forma.
É, ela ela acaba observando uma o mercado para ver se tem alguma premissa que é validada para aquele negócio dela, né? Já então ela ela meio que se resguarda da tentativa e erro que vai gerar um overhead de gestão dela, querendo não, né? Então ela já pega uma empresa que, pô, essa premissa é válida, ela tá funcionando, então eu absorvo.
>> E ela traz para dentro num momento muito propício, aonde os canais de distribuição que ela tem, a marca que ela tem, os colaboradores são muito propícios para fazer a escala ir para um outro nível.
>> Então ela entra num lugar onde a grande empresa funciona bem, que é o de distribuição em escala. Então ela consegue fazer um um ela consegue pegar um ativo que é uma startup com bons resultados e levar ela para outro patamar. Então eu diria que ela entra meio que na hora certa. Então a grande empresa ela continua tendo que inovar, mas não dentro de casa, mas observar o que tá acontecendo. Tem que estar atento às inovações, as tendências, o que tá rolando, conversar bastante para fazer uma boa aquisição. A maior parte das empresas cresce hoje de de inovação, cresce dessa forma, né? Tem algumas exceções assim, a Apple é uma empresa que compra pouco, né? Ela tem fez poucas aquisições, mas você olha o Google, dezenas de aquisições, você olha Microsoft, dezenas, não são centenas de aquisições.
>> Oracle, né? Também >> Oracle. Essas você vê que a maior parte delas compram muitos negócios e e isso oxigena ela do ponto de vista de inovação.
Eu fiquei com, cara, eu teria mais 50 perguntas para te falar aqui sobre ecossistema de startups, mas eu queria voltar um gancho aqui atrás, porque eu acho que ficou uma dúvida com os nossos ouvintes. falou da gringo.
Eu queria te que você explicasse pra gente voltar até lá no começo da pergunta sobre o início do do iFood, etc. O que foi a gringo e qual é a relação entre as empresas?
>> Não, não tem relação entre elas, exceto tem uma que sempre tem uma relação, né?
Eh, o iFood, eu eu participei do crescimento da empresa de 2011, que foi o dia zero ali até 2018, vem de uma parte 2019 e outra. saí totalmente e foi o momento em que os últimos fundadores saíram. Então, eh, naquele 2019 foi o momento em que todos os a primeira geração daud saiu.
>> Uhum.
Eh, em 2020, e daí eu comecei a investir em startup, mentorar, ajudar um monte de gente, eh, dei aula em pós, fiz umas doideira e uma das coisas que eu fiz foi conhecer o pessoal de uma empresa que não chamava Gringo na época, que queria inovar no mercado automotivo. Eu estudei bastante o mercado, como eu faço quando eu vou entrar num negócio e achei bem interessante. Falei aqui tem eh uma oportunidade grande porque é um mercado de R 1 trilhão deais. É um dos maiores mercados, é um dos mercados que mais movimenta a PIB da economia. Falei: "Cara, é um mercado gigantesco, é um mercado muito ineficiente, cheio de burocracia, então tem muito problema para resolver, né? Tudo é chato de fazer dentro desse mercado e muita coisa com quebra de confiança." Da a gente falou, tem um uma oportunidade aqui. Daí o que que a gente fez? Eh, a tese é: vamos criar o super app do motorista. um aplicativo aonde o motorista resolva todas as dores dele num único lugar. E isso daqui inverte uma lógica do mercado, porque todos os players eles são focados em uma oferta.
>> Uhum.
>> Então, a seguradora vende seguro, um dealer vende carro, >> uma uma empresa de financeira vende crédito, eh uma empresa de consórcio vai vender o consórcio. Então, cada empresa tá focada na oferta. Então ela é aquela história, para quem tem prego, tudo, para quem tem martelo tudo é prego. E começa a empurrar, porque uma seguradora, o que que ela vai fazer? Te empurrar seguro. É a única coisa que ela pode fazer.
>> E a gente queria uma lógica invertida, onde eu quero, eu quero que os motoristas estejam lá dentro e eu quero entender o que ele precisa naquele momento para servir ele de modo assertivo. Não vou te oferecer seguro se você tá querendo comprar o carro agora, é tentar casar mais as ofertas. Então tem uma grande oportunidade aí, só que como todo sonho grande, a gente tinha que dar um primeiro passo. E o primeiro passo, que foi a oportunidade que a gente achou, foi o de documentação, que é o mercado que cuida da parte de licenciamento, de multa, de PVA, que cuida das burocracias para que o carro fique regularizado.
E um dos motivos da gente ter entrado nesse buraco aí foi que é um mercado de de algumas dezenas de bilhões. Então era um mercado razoavelmente grande e que não tinha nenhuma marca referência na cabeça das pessoas. O que vinha era o Detran, que é um órgão público, que daí a experiência do usuário >> ou aquele despachante de bairro geralmente, né?
>> Exatamente. Mas não tinha uma grande referência porque se eu falar seguro vem algumas marcas na sua cabeça. Se eu falar crédito vem outras, consórcio vem outra. Então os mercados eles já têm o top of mind. Esse mercado eh tinha o Detran com top of Mind, mas com com gaps de qualidade, né, que não é o forte do governo. Então tinha um espaço a ser ocupado. Só que a gente ocupou ele sem nunca se posicionar como um despachante digital, porque isso atrapalharia os nossos planos de médio e longo prazo.
Então, embora facilitaria nossa comunicação de curto, porque se você for resumir o que que era o gringo, era um despacha digital, mas se a gente se vender, se vendesse assim, a gente ia criar, >> fechava outras janelas, né, uma mensagem que vocês só eram isso, né?
>> A gente ia ser reducionista e ia ocupar um espaço errado na cabeça da pessoa.
Então, desde o dia zero a gente ocupou o de Superep. E para isso, além dessa questão de documentação, a gente fez features, algumas features acessórias que que ajudavam o motorista que já justificavam o conceito de superep.
Daí, eh, eu, a, a gente conseguiu fazer um piloto para para esse projeto. Eh, a gente pegou ali os os sócios fundadores, a gente investiu R 1 milhão deais e a gente tinha um ano para dar certo ou dar errado ou fechar. Que startup tem muito disso, é R8,80. Eu não acredito isso.
>> É capital, capital pessoal de vocês.
Isso >> foi o os fundadores colocaram coletivamente 1 milhão e falaram: "Cara, em um ano a gente vai descobrir se isso aqui, se a nossa ideia é maluca ou não".
>> E depois de um ano a gente foi isso.
>> Foi em 2020, pouco antes da a ideia, >> ela tava no meio da pandemia já, né?
>> É, a ideia mesmo, ela surgiu em 2019, ela foi executada um pouco antes da da pandemia, >> é começo de 2019. E um ano depois a gente tinha evidências de que aquilo poderia ser grande. Eh, a gente mostrou essas evidências pro investidor, um dos maiores investidores da América Latina, que é a CASEC, dos fundadores no Mercado Livre.
Daí os próprios fundadores do Mercado Livre analisaram o nosso negócio, gostaram, entraram e aí a gente migrou de passou de fase aí, eh, deixou de ser um piloto, um projeto e a gente construiu uma empresa em torno disso.
Não sei se você quer explorar mais esse assunto, mas >> não é é legal para saber que você que foi uma outra fase do do >> isso >> do do teu da tua trajetória como e você perguntou o que que elas têm em comum.
Só tem uma coisa em comum. Quem me apresentou para os fundadores ali do do Green, que foram meus sócios, foi o foi um sócio meu de iFood e de rápido, que foi uma startup que eu criei nesse meio tempo também de logística para entregador. Então, eu já tava com sócio dele há desde 2011, então muito tempo juntos. Ele que conhecia os outros dois fundadores, só ele conhecia nós três.
Ele daí ele falou assim: "Cara, você tem que conhecer ele, tem que conhecer ele".
juntou todo mundo na mesa, >> aí deu deu match >> e ele entrou de anjo investidor também.
Então, eh, daí >> ele fez a cola ali. Isso aqui mostra a importância do relacionamento, né?
>> Sem dúvida nenhuma.
>> Que assim, eh, duas coisas, o relacionamento e você se expor. Porque quando eu tive o primeiro contato com a ideia, ela não parecia legal. Ela ela não me suou ela não me suou da das melhores ideias.
É que na verdade todo mundo tem uma imagem muito ruim desse mercado, né?
>> E o cara fala: "Cara, despachante". O cara fala: "Não, duro Deus, eu não quero ir no despachante".
>> E eu acho que todo mundo já fala: "Meu, pô, mas pode ser uma oportunidade de negócio." >> Exato. E o por trás disso é não julgar o livro pela capa, né?
>> Uhum. Eh, eu fui lá, conheci melhor a tese, depois eu fui estudar o mercado automotivo, fui estudar esse mercado de eh de despachante. E o ponto é a decisão foi muito lógica. A gente olhou o tamanho do mercado, a gente olhou que não existia top of mind, a gente e e a gente foi um pouco teimoso também, porque uma coisa que é normal em startup é quando você vai abrir ela procurar uma tese igual no mundo. E muitos projetos que você vê no Brasil já existe na Índia, na China, Indonésia, África do Sul, em ger Méxicos, em geral, países em desenvolvimento, porque eles têm uma característica mais parecida com a nossa, de um país ainda em construção. E a gente não achou nada igual.
Então isso daí preocupou a gente, falou: "Poxa, o que a gente tá pensando?
Ninguém conseguiu fazer, será que é impossível?
>> Você na Índia com um trilhão de pessoas, ninguém pensou nisso, será que só eu tive essa ideia, né?
>> E é mais difícil convencer o investidor nesse caso, que o investidor fala assim: "Tá, então você é o gênio da lâmpada agora aqui." >> Exatamente. Os caras lá na Índia que tem os próprios gênios da lâmpada não pensaram nisso. Você pensou? É, se você for pensar a China e a Índia juntas do mundo, >> não, mas só a quantidade de PhDs que ele tem, que eles têm ali >> deve dar 100 vezes os os o >> É a população de São Paulo, só os PhD.
>> Então aparece soava meio pretencioso, né? Mas o ponto aí foi o teste, eh, porque a história não ia convencer ninguém, mas a gente falou, vamos testar.
>> Testamos, os dados eram favoráveis.
Legal, legal. Julino, deixa eu aproveitar eh o a minha dúvida, eu até imagino que sim, mas o momento quando você lá em 2011 montou, né, idealizou o iFood e depois na tua segunda jornada em 201920 aqui com a gringo, o cenário de startup era muito diferente. Imagino startup, de tecnologia, eh, talvez um momento de mercado, eh, você puder falar um pouquinho das diferenças desses momentos.
>> E uma uma pergunta complementar, você foi o cara de tecnologia também na Gringo ou você já entrou mais como um executivo sem tanto não não escreveu uma linha de código?
>> Vamos aos poucos, senão me perco nas perguntas aqui, tá?
Vamos lá. A primeira parte do do, desculpa, do >> da do ROM, do sobre a parte do momentos de, né, de >> ah dos mercados. Vamos lá. Eh, os mercados são bem diferentes. Assim, a gente tá falando só em 9 anos de diferença, porque uma foi fundada em 2011 e a outra em 2020. Então, a gente tá falando em pouco tempo, mas é absurdamente diferente o contexto, né?
Quando a gente eh lançou o Food, só tinham três fundos de investimento no Brasil, que era a Data House, a Monax e a a Red Point do Romero da do Buscapé. E quando a gente estava no gringo, já existiam centenas de fundos, sem contar os estrangeiros que investem no Brasil sem ter sede aqui, né? Porque como toda o investimento em startup acontece via queima, umas estruturas e internacionais, eles não precisam ter uma sede. Aqui outra coisa que mudou absurdamente a quantidade de usuários, porque quando o iFood surgiu não tinha smartphone e a grande democratização do acesso à informação foi o smartphone. Pensa quantas pessoas tinham computador, >> cara. Parece, meu Deus, parece que a gente tá falando de 1980, né, velho?
>> Parece, parece distante. Caraca, velho.
Mas estamos falando de que ano?
2011 não tinha >> car o smartphone veio porque 2013 foi >> foi foi perto disso, mas independente até da data de lançamento, o começo foi muito devagar.
>> É exat >> ele tracionou mesmo com quando lançou o Android >> porque o iPhone era mais caro. Exato.
Então assim, ainda que tenha, eu não lembro exatamente quando lançou, mas a popularização veio com Android.
>> E então o que acontece? Imagina que o tamanho da base de usuários era totalmente diferente. E além da base de usuário, e o quanto que ele já comprava online, porque alguns até usavam, mas não para e-commerce, não para transacionar coisas. Então, quantas pessoas colocavam cartão de crédito?
>> E lembrando também que naquela época muito dos brasileiros nem eram bancarizados, >> que a bancarização do brasileiro veio com as fintecs, né, com Nobank, com Neon e outros bancos.
>> Então, muito brasileiro nem cartão tinha.
Então, eh, é muito diferente você jogar um jogo que tem, eh, centenas de milhões de usuários versus um jogo onde você tem dezenas de milhões de usuários. Então, mudou bastante. Mas tem outra característica legal que é a os são os profissionais. Quando a gente criou o iFood, ninguém nunca tinha criado uma startup. A gente não sabia nem o que era uma startup. Eu lembro quando a gente descobriu o modelo de gestão do Spotify, ficou fascinado com os squads. A gente foi no >> Todo mundo passou por esse momento, né, cara? Tipo, nossa cara, que maravilhoso.
Depois a gente descobriu agora recentemente que o próprio Spotify não fazia isso, não fazia isso.
>> E o Spotify depois lançou um comunicado, falou: "Galera, eu só eu só quis explicar, eu só quis compartilhar algumas práticas nossas. A gente não tava criando uma metodologia.
>> Exatamente. É muito louco isso, né? Mas assim, o fato é que o jeito antigo não funcionava, né?
>> É, não dá para voltar pro Water Terfall.
Inclusive, eu quero deixar uma uma recomendação aqui. Alguns episódios atrás, a gente fez uma discussão aqui com o meu amigo Víor Gonçalves, que é um especialista em ágil, que a gente discutiu se o Ajá morreu ou não, né?
Porque agora em 2025 tem uma discussão aqui, muitas coisas estão retrocedendo, mas colocamos uma luz nesse assunto sobre se a gente realmente acabou o hype ou não. Vou deixar o link aqui na em cima da careca do ROM aqui ou na na minha, não sei, uma das duas carecas aqui, tá? O link.
Você que tá aí escutando esse episódio bacana e quer levar toda essa tecnologia, essas novidades pra sua empresa e não sabe como, chama o time da VMBERS. A gente pode ajudar vocês com desenvolvimento de software, com arquitetura de soluções, a entender os problemas que vocês estão vivendo e sair do outro lado com uma solução bem bacana. E se você tá escutando o podcast para aprender coisas novas, faz o seguinte, manda um e-mail pra gente no peoplecare@vemers.
E você pode fazer parte também do nosso grupo de talentos. Valeu.
Agora o time do Relações Públicas vai gostar mais de mim.
[Aplausos] Pode continuar, Julieto. Então, o o uma grande diferença, então, é a qualificação dos profissionais. Imagina que na época da Food a gente não sabia o que tava fazendo, tecnicamente sabia, mas do ponto de vista de gestão, de é como ser ágil, como organizar a equipe, como fazer área de negócio e tecnologia conversar, nada disso era bem estabelecido. Já no gringo, o time base era quem? Chamei pessoas do iFood, eh, tinha uma galerinha do quinto andar, Wildlife, Conta Azul, então já tinham pessoas que viveram startup, então eles sabiam que vinha depois da curva, >> já vinham aculturados, né?
>> E exato. E ao saber o que viria na sequência, eles conseguiam ser mais assertivos naquela etapa. Isso quebra até um pouco da ansiedade.
>> Uhum. Porque quando você não sabe o que vem na frente, às vezes você quer construir uma coisa super robusta, mas quando você sabe, você, ó, a gente tem tempo para construir isso. Então, eh, vamos fazer o que precisar agora, porque quando for fazer a próxima etapa, eu preciso de três meses para fazer isso.
Então, você já tendo conhecimento do que está por vir, você consegue cadenciar a obra, né? Estilo uma construção de uma casa.
>> Sim. Sim. em que você consegue cadenciar as coisas e fazer no seu momento. Não precisa antecipar tanto.
>> Cara, eu vou abrir um parênteses aqui para te dizer uma agonia que nós temos, principalmente nós somos eh da área de arquitetura, >> desse contraste entre esses dois mundos, né? Como você falou, você já tem uma cultura de testar, validar e realizar e depois, cara, se precisar demolir um muro e fazer outro para aumentar a casa, isso faz parte da cultura de startup.
Quando você tá numa empresa, numa Big Enterprise, não importa se é uma Big Tech ou qual o business que ela tá. E eu já passei por alguns momentos de transformação digital, onde vamos ser ágeis, vamos fazer entregas eh que são incrementais, etc., cultura de startup.
E você não tem uma transformação de fato do comando executivo em relação a isso.
Sabe o que acontece quando você tem uma mistura disso tudo? você cria um uma visão de produto ali, exatamente como você falou, cara, aqui a gente não vai escalar tanto até tantos mil usuários.
Vamos fazer uma uma versão mais simples.
Eu não preciso ter uma arquitetura rebuscada para isso, não preciso ter escala, vou reduzir meu custo de infraestrutura, tal, beleza? Vou entregar para validar a ideia. Aí você faz entrega, aí você tá numa big company e fala o cara, ó, [ __ ] funcionou e tal, ó, legal, vamos escalar. Que que o executivo fala? Ah, maravilha. Amanhã eu quero escalar para 100% da base de clientes.
>> Milagre.
>> Exatamente. Então você tem um choque de cultura, né? Porque você transformou o seu operacional para um mindset, mas lá em cima você ainda tem a cultura do cumpra-se.
>> Pode acontecer outra coisa também. Ele falar: "Nossa, gostei muito disso, agora vamos pra fase dois". Só que daí tem que aprovar o orçamento, não sei o que e tal, tudo mais. Daí entre o piloto e a versão definitiva tem um abismo de meses, tá? onde você perde a energia, perde o movimento, perde o timing ali.
>> Exato.
>> Eu concordo. O eh de novo, né? É mais fácil para uma estrutura mais leve, mais enxuta ou numa estrutura grande quando você cria times que são os jet skiss, os laboratórios, fazer isso. E e é interessante porque é no detalhe que as coisas que que que mora o problema. O um amigo meu foi líder de um lab de uma grande empresa e ele me ilustrou isso.
Ele falou assim: "Cara, sabe quantas regras de governança existem na empresa mãe?" Ele falou lá: "Era perto de 100, 100 regras que elas não podem ser sob qualquer hipótese descumpridas.
Cara, para comprar, ele precisava comprar um smartphone para fazer um teste de alguma coisa. Aquele monte de regra. vai pro vice-presidente aprovar aprovar R$ 3.000 para comprar um smartf.
>> Exatamente. Daí o que acontece? Não dá.
Daí eles criaram um lab e ele falou que no lab acho que eles tinham três regras só. Três, quatro, cinco. Era pouquíssimo, era. E daí ele falou assim: "Só para você ter uma ideia do que eu tô falando, eu contratei a WS no meu cartão pessoal. Aonde que isso vai acontecer?
Numa empresa grande". E eu tô falando numa multinacional alemã, sabe que os caras são bem certinho e gigantesca, bilionária. Então, ol que legal, o laboratório ele tinha autonomia para fazer essas doideiras, para ser ágil, não é? Não é para E daí você vai assim, tá, mas isso abre brecha para corrupção, para pra fraude. Abre, mas se você não lidar com a com a inovação de modo ágil, você vai tá preocupado em com um problema, mas um problema verdadeiro é outro.
>> É a inovação morrer pela burocracia.
Então é um risco que você tem que tomar.
>> E esse é um exemplo que eu acho interessante de como eles conseguiram.
você consegue conter isso de outras formas, como a seleção melhor de pessoas, etc. Você tem que ter outras formas de contornar esses riscos tomando eles de forma controlada, né, cara?
>> Mas eles tinham o problema, exatamente o que você falou, que eles conseguiam tirar vários pilotos do papel, mas essa transição do piloto pros virava um problema. Por quê? que daí escalava paraa Alemanha e não sei o que e vinha verba, não vinha mais, aquelas doideiras orçamentári de empresa grande. Então é interessante, eles resolveram uma parte do problema e é por isso que eu falo que a startup resolve os dois, porque ela cria a inovação, ela escala a inovação e já vende pra grande empresa grande já.
Sim. Então, >> e aí vem a dificuldade de fazer curva com Titanic, né? Como a gente falou.
>> Exato. Você tinha feito uma segunda pergunta.
Se você na gringo também é o cara de tecnologia.
>> Fui, mas desde o início eu eu deixei claro assim, ó. Não, não, não tô mais nessa vibe de codar.
>> Não abro mais o eclipse, o >> é o o ambiente de desenvolvimento já era. Só que como no gringo tinha um time inxuto, eu o que eu fazia, eu fazia um fazia umas cooperações junto com com o meu time. Eles abriam a tela, a gente discutia, ao invés de discutir a regra de negócio, já discutia direto o IFELS lá. Aham.
>> Então era mais rápido. Então alguns algumas vezes eu fiz isso. Mas eh tem tem uma coisa na minha história que foi dentro do iFood. Isso eu gosto de desenvolver, né? Assim, desenvolver é uma coisa prazerosa. Eh, >> você pode não ser programador, mas o programador nunca vai ser. Mas aí o que acontece? Voltando de um planejamento estratégico, eu tava no carro com o meu sócio técnico lá, o Gabriel, e eu voltei meio transtornado. Falei assim: "Cara, ferrou, tá tá ligado que ferrou?" Porque a gente sempre trabalhava mais, se esforçava mais, então a gente sempre dava um jeito.
Só que aquele planejamento mostrou um horizonte onde não dava mais pra gente fazer. Não dava mais.
>> Foi quando vocês tinha que escalar para um volume de entrega.
>> Você comentou >> a quantidade de colaboradores, de coisas que a gente ia fazer seria desumana dentro da estrutura que existia. Então era impossível. E o que eu o que eu fiz naquele momento falei assim, cara, o único jeito ou eu me torno o líder que a empresa precisa, que que o time de tecnologia precisa, ou eu viro um especialista e continuo tocando barco, mas abre espaço para alguém assumir esse lugar. E daí eu troquei de computador, não instalei o ambiente de desenvolvimento, cara.
>> Estilo estilo um viciado.
>> Você não entrou em depressão nesse momento, >> então. Mas ó, só foi aos poucos. Calma, assim, a primeira coisa eu comprei um computador novo porque daí tinha me deu um presente, né? Comprei um computador novo, tal, não instalei ambiente de desenvolvimento porque seria muito mais difícil apagar, né? É, é verdade.
>> Apagar seria muito dolorido. Então >> aqui é só e-mail.
>> É, então vamos lá. Daí, primeira coisa é isso. Daí o que acontece? Eu sarei de vez, curei de vez, não. Aí eu ficava do lado dos desenvolvedores, era físico, né, o Trump. Então eu ficava do lado dele, falava assim, ó, mas esse código aqui vai dar errado, hein? Mas abre, abre esse arquivo aqui. Não, mas aí você tem que jogar para lá. Essa arquitetura não ficou legal. Ficava cornetando os caras num perro forçado >> e o cara não. Sim, senhor.
>> É um per programa hierárquico. Abre o código aí. Vamos ver.
>> Abre o código aí. Deixa eu ver essa função aí que essa classe você tá fazendo. É, eu sempre fui muito educado, né? Tava uma merda. falou assim, ó: "Dá fazer melhor.
Olha, dá para melhorar esse código.
>> Dá para melhorar um pouquinho. Daí assim, pera aí, joga esse arquivo no lixo. Vamos começar de novo, né?
>> Isso, ó. Tá vendo esse arquivo aqui?
Abre aqui. Beleza. Põe esse na lixeira.
Vai alend.
>> Deixa eu te mostrar. Daí depois disso, eh, eu fui me afastando. Daí eu só participava da validação do código, só hora que ia subir.
>> Então, comitou a versão e daí tá tá >> o request era com você.
>> Exatamente. Eu ficava zocrinando, falava sei que vai dar errado e tal. Daí eu fui pro, me afastei mais um pouco que foi quando eu entrei só em arquitetura. Daí eu discutia os problemas mais estratégicos e complexos >> para não deixar o time entrar com overhead, que é um risco que os engenheiros de software acabam correndo, que é vamos resolver, vamos daí tenta resolver todos os problemas do planeta Terra de uma vez >> e ao mesmo tempo que não fosse simplório ou simples demais e fosse quebrar. Então >> era no nível mais estratégico de arquitetura. Exato. E o arquiteto, ele tem muito essa sabedoria, né, de achar o ponto ótimo entre o não ir, não, não cair pro overhead e nem ser simplório.
Sim.
>> É uma arte isso e e demanda experiência, né? Da onde eu entrava.
>> Isso é um corte, tá gente? Por favor, obrigado por valorizar a profissão.
>> E e e tem coisa que não que só o tempo mesmo para amadurecer, né? Você precisa passar por várias experiências para ganhar essa sensibilidade. Então eu fui migrando para isso.
>> Conhecimento da demanda de negócio, etc.
Não é só técnica, >> exatamente, porque daí você precisa ser sensível ao outro lado, né, a negócios.
Ex.
>> E então, nessa altura do campeonato, eu já tava muito mais no nível macro e eu fui muito para uma linha de me tornar um líder. Estudei muito sobre liderança, eu testei várias coisas nessa direção e de fato eu consegui criar um engajamento muito grande da galera e criar uma união muito grande do grupo. E uma das grandes complexidades numa estrutura como essa é você não criar feudos, né? É, os são os caras de tecnologia, tá? De um lado, os caras de produto do outro, os caras de negócio do outro, os caras de operação, queria aquela quando a gente não tem feudo dentro da própria tecnologia, né?
É exato. E aí que entra, acho que uma grande virtude que o conceito lá do que o Spotify acabou eh ainda que involuntariamente proliferando no mundo, o conceito de squad, ele ele ele ajuda a colocar todo mundo na mesa junto >> e é melhor você colocar antes de fazer do que depois, né? Que já tá feito e daí já >> aí vira sala de guerra literalmente.
>> É, >> é um botando a culpa no outro. Exato. E daí quem fez não quer desfazer porque quer jogar trabalho fora. Então você entra num problema. Então, >> eh, o discutir mais profundamente antes gera benefícios muito grandes, porque você tem o olhar de diferentes stakeholders, né? Porque um vai olhar sobre a perspectiva de experiência do usuário, outro sobre a perspectiva de custo, outro perspectiva de técnica e assim por diante.
>> É, sabe que na área de arquitetura a gente tem um pouco desse papel de ser o comissário da ONU, né? Infra, vem cá, vamos discutir isso aqui nessa solução.
Você desenvolvimento, vem cá, o SRE, vem cá. Você Isso, exatamente. Vamos, vamos, ó, vamos fazer tudo isso aqui. Tá vendo?
Isso aqui é o plano, gente, tá todo mundo de acordo, né? e e e gerir esses tradeoffs, né? Tipo, ó, não, vamos ter aqui um débito técnico, tal, tem que tem que e e isso é o que você falou, é sabedoria de olhar pro todo, né? Ter a visão de helicóptero e conseguir ter essa visão de de pacificação, né? Quando você teve essa visão, você tava na gringo já, não iood, certo? A do a dos squads foi no iFood. A gente foi, a gente foi um dos pioneiros a, a usar, não tinha ninguém que a gente conhecia no Brasil usando. A gente falou: "Cara, e tinha muito conflito entre as áreas, tinha, >> tem linha de código tua no iFood ainda?
>> Tem, tem do assim, eh, é difícil dizer isso até hoje, né? Porque tem uma coisa que eu aprendi com o tempo, é que todo código é reescrito, né, ao longo do tempo, né? Se você for olhar a até teve uma vez que >> fala que sim para fazer um corte. Tem linha de mim, tem linha de >> Tá lá, ó. Brincadeira. Tem, tem, tem com certeza tem uma gambiarra minha lá no porque eu se tem uma coisa que eu era bom era de achar uma solução engenhosa para um problema complexo. E e você tá ligado que a inovação é a gambiarra que deu certo, né?
>> Exatamente. É um nome bonito pra gambiarra.
>> Exatamente. Então assim, você começa como uma gambiarra, mas ela acaba virando a grande inovação que transforma o mundo. Então é, tem >> toda gambiarra repetida vira um páter.
Ô, mas exato. Assim, essa eu não tinha ouvido, mas faz todo sentido.
>> É toda gambiarra repetida vira um pattern, cara.
>> Exato. E daí já dá para criar livro, um framework. É isso aí.
>> Isso você acha que o cara criou o facade? Ele falou: "Porra, vou botar, não vou alterar isso aqui, vou botar um canal". Aí foi fazendo, fazendo, virou pattern, cara. É, pode. Eu nunca tinha pensado nessa perspectiva. Faz todo sentido.
>> E o uma das coisas que uma vez eu escutei numa reunião de conselho, que ela ajuda a tirar um pouco a pressão do time de tecnologia dentro de uma estrutura de startup. O cara falou assim: "Ah, ah, eu tô refazendo não sei o quê". O cara falou assim: "Fica tranquilo, porque até dar certo você vai ter que refazer umas três vezes".
E é interessante porque depois eu fui ver mesmo de fato as startups assim que eu que eu estive próximo tecnicamente via evolução técnica, a mesma coisa foi refeita múltiplas vezes >> porque não tinha sentido fazer a solução sofisticada de partida, porque seria um overhead, até porque você nem tinha clareza do escopo, você nem tinha clareza dos requisitos funcionais.
Então, como que você vai desenhar uma arquitetura decente?
>> Sim, não dá para você pensar em algo tão modular que seja escalável. Exatamente.
Então é normal você ter que tando, né, fazendo alguns puxadinhos, algumas coisas, daí você entende realmente o problema e refaz direito. Então essa é uma é uma leitura que eu que uma vez eu eu vi numa reunião de conselho e e reflete muito a realidade do que eu vi, que você precisa de tempos em tempos refazer parte do código sem apego, né?
>> E e naturalmente, né? O importante é você ter essa naturalidade de saber que você vai lidar com isso, né? E tem uma coisa que isso aí vocês que vocês conhecem bem, acho que vocês vão concordar comigo. Você não deveria, a gente sempre falou isso no gringo, não julgue o código passado, o código alheio. Você não sabe a situação que ele estava, o contexto. O cara tinha que entregar uma coisa super complexa em uma semana.
>> Não julgue.
>> Você achou um gotu no código, cara? O cara tava na merda. O cara, o cara tinha que resolver, velho. O cara tinha que resolver. Então não julgue, não julgue os antepassados, >> não. E agora lembrei de uns comentários engraçado que a galera colocava assim: "Não tire esse, não tire essa linha. Não sei o que faz, mas não tire".
>> Tá, tá funcionando.
Não, >> tinha um, tinha uma um bloco de código lá que acho que até hoje ninguém descobriu para que que serve, mas deixa lá, vai.
>> Sem ela não funciona.
>> É >> pergunta que todo mundo deve estar se fazendo aqui. Qual que era o stack do iFood no começo?
Boa. O, eu e meu sócio, a gente era apaixonado por Java na época e eram até contextualizando, né, o que que existia naquela época, né? A grande tecnologia web era PHP e a gente achava bagunçado demais e tal, >> pô. Só porque não é tipado. Aí, eu defendo o PHP porque pagou muito boleto meu já. Ah, >> e tem coisa bem feita em PHP, né? o próprio Facebook, tal. Então, dá dá para é aquela questão organizando direitinho, né? Qualquer qualquer tecnologia serve.
>> Isso. O problema do PHP que aí dependia do cara ser saber organizar, né?
>> Exatamente. E exato. O cara tem que querer organizar. Agora dentro do Java é obrigado, né? Obrigado. Obrigado. Você você é forçado. Então, e a gente se especializou em Java, então a gente só fazia sistemas nessa tecnologia para aquelas grandes empresas que eu comentei. Então, quando a gente foi começar, foi natural ir para essa direção.
>> E naquela época o Java passou por umas doideiras, né? Os EJB, os negócios >> uns negócios meio >> RMI, né? É assim, quando não compilava, basicamente ninguém sabia onde era o problema, porque tinha tanto XML, >> porque quando o problema tá no código é fácil, né?
>> Você vai lá o compilador e mostra, deu pau aqui agora. E quando é no XML? Daí dá aqueles estoura aqueles erros misteriosos, ninguém sabe o que que é. É ótimo para debugar.
>> O stack trace é uma um uma oráculo.
>> Ninguém acha assim, é só só isso, é só uma tragédia. Então, e o banco de dados, eh, por conta da Diski Cook, aquela empresa anterior, a gente começou com Oracle.
>> Uhum. E >> isso aí foi um terror pra gente ao longo da >> Mas eles já tinham um banco de dados, não era fax, velho? Então, é que já tinham alguns sistemas dentro dessa empresa. A gente eh começou porque, por exemplo, eh quando atendente recebia o pedido, tinha um sistema para para anotar, então começou a ter, a empresa começou a colocar tecnologia. O iFood foi só, >> tem toda a liga em tudo, né?
>> É, foi só a parte externa ali, né? A parte de fronte, né? Porque internamente foi migrando para para usar cada vez mais tecnologia >> e então a gente herdou o Oracle. Isso aí foi um grande problema pra gente, porque o iFood em um dado momento cresceu rápido. E como que você escala um banco Oracle que era naquela época você contratava por núcleo, né, >> a licença.
>> Então a gente tinha direito a X núcleos.
E não é que esse servidor ficava na nuvem também, ele ficava fisicamente dentro de uma salinha em Jundiaí, que era onde ficava o o data center. Ele usou a mesma estrutura do call center.
>> Então era um data room, não era um um colocation, >> não. Era uma salinha mesmo que tinha lá fechadinha lá dois servidores espelhados.
Eh, tinham, se eu não me engano, quatro geradores de energia.
Daí uma vez a a empresa de energia foi resolveu trocar o poste sem avisar. Daí gerador número um falhou, gerador número dois falhou, gerador número três falhou, o quarto funcionou, >> o último, >> caramba, >> senão teria ficado o final de semana fora. E a gente tinha receio de alguém entrar lá e roubar a máquina. Uhum.
>> Cara, que loucura, velho.
>> Uma loucura. E daí eu lembro até o dia que a gente colocou dentro de uma infraestrutura, levou fisicamente o computador para um data center >> e aí foi para um colocation.
>> Foi para um colocation. Exato. E por e não que a gente quisesse um colocation, a gente queria uma coisa mais sofisticada, mas tava amarrado no Oracle, né?
>> E e daí tinha que a máquina inteira.
Mas disso o que que a gente fez, né? A gente resolveu a questão do banco de dados ao longo do tempo, criando microsserviços usando postc. Então a gente foi tirando porque à medida que crescia eh crescia a demanda, >> explodiu o banco. Daí a gente jogava algum tipo de de estrutura que que tava estressando o banco para um microsserviço em Postcers e daí foi desestressando, mas daí estressava >> segregava o domínio, aí criava um microerviço para escalar só aquela feature que >> Exato. E correndo atrás do rabo ali porque a com na verdade correndo atrás do tempo, né? Porque como a base cresceu muito rápido, a gente tinha que ir explitando rápido, até que um dia a gente conseguiu matar de vez o Oracle. E a gente até tinha também um cemitério de projetos lá, porque como a gente eh >> cemitério de projeto é um termo muito bom, >> como a gente começou com alguns projetos que perderam sentido ao longo do tempo, eh a gente foi unindo coisas, foi simplificando, então a gente foi eh enterrando muita coisa e o Oracle foi um dos um dos grandes dias ali, o dia que a gente enterrou ele. Então, quer dizer, esse foi um, a minha pergunta até os dilemas que você passou, um deles provavelmente foi esse, né, de você ter uma sobrecarga em cima do Oracle, ter que criar m e microsserviços para tentar eh dar vazão na demanda e até você depois conseguir fazer a transição e tirar o tirar a tecnologia.
Mas teve, tiveram, imagina que tiveram n outras dilemas que você passou ao longo do crescimento. Precisando de técnico, né?
>> Sim, foram vários. Só uma última do Oracle. E às vezes a o Oracle resolvia fazer alguma algum tipo de indexação, limpeza e só um especialista muito conhecedor para saber o que tava acontecendo. E daí ele resolvia falar assim: "Ó, tô, deixa eu parar um tempo aqui para indexar alguma coisa" e simplesmente deixava a gente na mão. Então, eh, o baita ferramenta, mas precisa de um profissional super especialista para que você não não fique vulnerável nesses mistérios aí do tipo, por que que tá o que que tá acontecendo agora?
>> Então, a decisão de troca era por uma tecnologia mais simples, ah, e muito mais numa linha de quebrar o problema, né? Aliás, de eu ter um banco gigantesco.
>> Ah, eventualmente talvez você poderia ter pequenos Oracles que resolveria o problema, mas >> mas aí foi mais a questão do custo, né?
questão de custo que não faria sentido.
>> E aí, antes de você continuar na pergunta do Rom, eu queria só fazer um parêntese sobre o que eu sempre falo nesse podcast, que é a importância de ter gestores com conhecimento técnico para tomada de decisão, né?
Provavelmente se isso tivesse na mão do executivo que não tivesse a formação e o conhecimento técnico que você tem, provavelmente você teria ido para essa data, né? E aí você estaria cada vez mais amarrado com, em vez de estar amarrado com ser humano, com abraço, seria um povo com oito braços amarrado de cima da plataforma, né? Então, eh, resolver isso de uma forma mais >> transparente com a capacidade de conhecimento de um, um tomador de de decisão com conhecimento técnico é mega importante, né? Porque geralmente a gente não vê exatamente isso, né? Você vê o tomador de decisão que é um executivo que consulta os técnicos, mas ele não tem a transparência do conhecimento. Então, só fazer um parêntes que a gente sempre fala aqui da importância de termos mais executivos ambidestros. Por favor, gente, executivos ambidestros. Obrigado.
Pode continuar.
>> E na startup é bem normal o time de tecnologia até voz.
O o time de negócios naturalmente precisa entender mais de tecnologia e como as coisas precisam ser ágeis e precisa tomar decisões assertivas, ela tem que escutar muito o time técnico.
>> Uhum.
>> E ao mesmo tempo o time técnico ele precisa ter a sensibilidade que a gente falou no começo, de saber quando fazer uma versão mais prototipada e simples versus fazer uma versão direita. Então tem que ter essa sensibilidade também e isso vai ganhando confiança do time de negócio.
>> Sim. Quando preciso testar, eu consigo e quando preciso escalar eu consigo.
Porque se você não conseguir prototipar, você cria um problema e se você não conseguir escalar, você cria outro.
>> É displicência versus o overineering, né? Exatamente. Aqui a gente já falou um pouco daí sobre a pergunta do do Ron sobre eh outros desafios, teve um grande desafio que foi assim, um dado momento eh junto com o Guilherme Bonifácio, que foi um outro sócio lá do iFood, a gente criou uma outra operação chamada Rápido.
Essa empresa é basicamente o que virou depois o Ifood Logistic, que é a parte que cuida dos motoboys.
>> Te falar, viu? Essa foi uma bucha. Por quê? Eh, quando você tá mexendo com um sistema mais de e-commerce, você consegue queixear muita coisa, né?
Então, você consegue poupar a parte de recursos. Eh, basicamente roda uma vez, dá uma queixada e resolveu. Agora, como que você vai queixar uma estrutura de pedidos onde você tem que fazer a entrega em uma hora? Você precisa saber a posição do entregador em tempo real.
Você precisa saber é se o pedido tá pronto ou não em tempo real. você precisa saber aonde que o cliente tá.
Então você precisa que eh ter uma série de informações eh geográficas tempo eh ao longo do tempo e tomar decisões rápidas, porque em alguns momentos se você não juntar pedidos, você não consegue entregar. Não tem motoboy para todos os pedidos. Então você tem que fazer o motoboy, passar no restaurante A, pegar uns pedidos, vai no B, pega outros pedidos, depois entrega para um cliente, passa em outro restaurante. Então não necessariamente é o >> cara, é o problema do cacheiro viajante, >> exatamente. Exatamente. É o tanto que a gente estudou muito, ele usou algoritmos open source para isso, >> eh, de cacheiro viajante. Eh, mas o que acontece? A gente começou essa estrutura de lest ma, né, de delivery só fazendo pickup delivery. Só vou no ponto A, pego e entrego no B. Acabou. Só isso. Agora em momentos de estress, de estrutura, essa essa esse mecanismo não funciona.
Você tem que usar melhor a jornada coletando múltiplos produtos e fazendo múltiplas entregas. Aí é doideira. É cacheiro viajante.
Eh, e isso tudo em tempo real.
Então, a quantidade de processamento era absurda e isso criou vários problemas de desempenho pra gente, vários. Daí a gente >> vai ter que pegar o gosto de fazer regressão linear, cara, em tempo real, mano.
>> É. E outra coisa, você não consegue e assim, você pensa, são 100 pedidos, não.
Pensa 100.000 pedidos, 200.000 pedidos ao mesmo tempo. Como que você vai fazer um cacheeiro viajando de 200.000 pedidos? Não dá. Daí você tem que quebrar o problema grande em menores.
Primeiro você pensa assim, ó, vou só simplificar, quebra por cidade. Não faz sentido você fazer um cacheiro viajante com todos os pedidos do iFood. Então você roda um em São Paulo, Campinas, tal, mas São Paulo também é muito grande. Então, como >> é do IS para bairro? Exatamente. Então, como que você reduz um problema gigante menor?
>> A própria redução já consome recurso para [ __ ] né?
>> Exato. Exatamente isso que é a parte de clusterização.
>> Então você precisa clusterizar para depois fazer a parte de de roteiriar.
Então, e isso num momento de estress, porque quando não tinha estress a entrega era ponto a ponto, por essa é a mais rápida de todas.
>> Aí rodava liso.
>> A entrega rápida é pega no restaurante e entrega pro rão. Acabou. É isso. Agora, esse modelo num momento de estress de estrutura, como o dia dos namorados, um domingo à noite, um sábado à noite, não funciona. Então você precisa usar.
Então, só reforçando, é justamente no momento do caos, com centenas de milhares de pedidos que a gente tinha que rodar, clusterização, roteirização e tal. E o que que não >> nesse momento você tava com máquina ainda com com Oracle no Collocation gerenciado ou você já tava com escala nuuvem, por exemplo? parte de logística eh foi totalmente feita em nuvem, porque ela foi uma parte nova, né? Então, totalmente nuvem usando po cristal, mas nela a gente usou tudo quanto é sistema de mensageria. A gente testou Cassandra, Cafca, eh o os próprias ferramentas de de mensageria da O Rabbit, >> foi testando tudo porque resolvia um problema, mas criava outro. eh, ou te gerava muito, ou era muito caro a estrutura ou difícil de digerir. A gente testou muita tecnologia. Uma delas, por exemplo, que a gente usou, que não é tão normal de usar é o eh MKL, o não sei se vocês conhecem, um protocolo, eu não tenho certeza se chama MKL, se eu não me engano é que é um protocolo para comunicação em tempo real.
>> Uhum.
>> Que ela é super leve. É porque é como se fosse, ao invés de você ter um várias camadas, né? Imagina o pacote com várias camadas, ele é só o streaming de dados assim, é como se fosse um protocolo.
>> Você não passa pelas três camadas de rede para mandar o pacote TTP, por exemplo.
>> Exatamente. HTTP ele tem que empilhar muitas e muitas camadas ali. Ele é muito pesado o pacote. Daí como era muito dado de coordenadas, coordenadas a gente fez >> MQTT, não é?
>> MQTT. Isso aí.
>> Isso >> é isso aí mesmo. MQTT. Boa.
>> E a gente usou, daí testava solução penurce de MQTT. A IBM tinha uma e daí aquela doideira. Então a gente teve que testar experimentalmente muita coisa para ver o que funcionava ou não, porque eram problemas muito extremos, grandes volumes, eh a diferença de custo entre fazer uma solução qualquer versus uma solução otimizada é gigante. E qual que era o ponto ainda na linha da dor de cabeça, Ron, a gente quando dava alguma coisa errada, imagina que cada minuto contava dentro dessa estrutura de logística. Por quê? Se eu não aloquei o motoboy, ele ficou parado e eu não consigo eh recuperar esse tempo mais. O motoboy já tinha que tá fazendo um pedido porque a estrutura logística parou de funcionar, mas os pedidos continuavam entrando. Então ia entrando pedido, >> a fila tá tá >> entrando pedido e não dando vazão. Então eh isso daí gerava um efeito gargalo violento. E daí você tem que entrar em coisas bem complexas do tipo, a pensa na aviação, né? Quando um avião eh atrasa, é melhor você cancelar ele, porque se você não cancela, imagina que dois, três voos atrasaram. Se você não cancelar ele, todos os voos a partir dali vão ser atrasados >> e daí você >> gera um problemaço, >> você fica entre o ruim e o pior. Que que eu faço? Cancelo, >> gera um problema de malha, né?
>> Exato. Cancelo ou gero ou gera um efeito dominó nisso aqui. As duas coisas são trágicas. Então, quando dava pau, eu eu ia para casamento de amigo, por exemplo, ia viajar sempre com meu notebook e tinha um grupo de uma galera bem e bem top lá que a gente tinha assim, dava um problema, entrava todo mundo junto e a gente quebrava o problema, assim, já tinha os papéis, ó, você olha as filas aqui, você olha os logs, você olha isso, tal, e a gente tinha o objetivo de resolver um problema super complexo em poucos minutos. Era isso. Então assim, isso daí gerou bastante stress eh no time como um todo.
>> Era quase o SRE do da primeira versão do do Food.
>> E o e uma coisa interessante é que com o tempo assim a a melhor analogia que eu cheguei é que a gente parecia, imagina você resolvendo um problema de lógica com Leão correndo atrás de ti. Acho que foi maior analogia que eu cheguei, porque você tinha que manter a calma necessária para manter a lógica, para resolver um problema complexo, >> para raciocinar de forma correta, né?
>> Raciocinar. Mas a ansiedade e a pressão para resolver rápido era muito grande.
>> Prão.
>> Então você vivia um estado emocional que é meio raro, eh, de estress, mas que você tem que achar uma espécie de meditação desligado, assim, assim, >> esquece tudo e resolve esse problema.
Então, e às vezes numa festa, na na praia, em um ambiente adverso, e nem sempre todo mundo conseguia entrar também, né? Às vezes dava um pau assim, o cara tava eh numa situação conseguia entrar, >> a internet do cara não tava funcionando, enfim, >> e eventualmente a gente tinha então que assumir papéis extras. Então, além de fazer aquele cronograma, [ __ ] o fulano não tá, vou vou fazer duas coisas aqui.
E eu te falar que em geral a gente conseguia resolver rápido, assim, a gente conseguia resolver em poucos minutos, mas já teve caso onde a gente, acho que o caso mais extremo talvez foi foram 4 horas fora que assim praticamente perdeu o período, perdeu a noite e o o e tinha de tudo, assim, eu lembrei de um caso agora aqui. Eh, teve uma vez um cara de infraestrutura, ele ele ele tava fazendo aos poucos o processo de organizar chaves, eh, né, tirando a chave do código e jogando no fazendo direito, né?
>> E daí tinha uma chave lá que ele falou, ele fez um teste, tal, essa chave não era usada por nada e daí ele apagou a chave.
>> Essa é sempre que vai ser usada. Não, mas te falar, mas não é que ele apagou a chave num dia qualquer, ele apagou numa sexta à noite.
>> Ah, que beleza. Ótimo. Melhor dia para fazer um >> Exato. Imagina que você tá lá de boa e o negócio para de funcionar e daí e até você descobrir que eh uma chave eh uma chave apagada e e atrás dela e tudo mais. Então acontecia um, a gente nunca sabia da onde vinha o tiro. Esse é o ponto. Às vezes era um erro interno, às vezes erro de código. Aqui normalmente que você pensa assim, subiu versão, dá um rollback, vão vão vão ou roda duas versões para ver se uma delas funciona, roda ao mesmo tempo, vai no modo desespero, né? E então a gente ficou muito bom em resolver problemas rápidos assim, mas vou te falar que é um nível de stress que eu não desejo para ninguém. Isso até foi um dos motivos assim que lá em 2018 quando teve a oportunidade de vender tudo, falei: "Putz, já deu já." Porque trabalhando de noite, de final de semana, de feriado, eh, minha filha tinha tinha dois aninhos, tinha acabado de nascer. Então, assim, queria um pouco de paz assim. E e o legal que dentro da jornada do gringo eu não encontrei nada disso. O gringo não é um não existe um problema de real time.
>> Sim. Então, se acontecer um problema, você você vai, >> você tem um pouco de parcimônia para resolver, né? Tinha mais tempo, na verdade, né? Exato. E inclusive até quando eu saí do iFood, assim, eu tinha, eu não tinha clareza se eu voltaria a empreender, porque foi muito, assim, é como se eu já tivesse entregue toda a minha vida ali, já deu, já, já tô financeiramente resolvido. Pronto. Mas quando eu fui conhecendo o problema do gringo, eu vi que ele tinha uma natureza diferente, eram outros tipos de problemas.
e que daria para ter uma vida saudável, que daria para empreender com qualidade.
>> A gente que é de Ti, cara, nunca consegue ficar sem problema para resolver, velho.
>> Não, sem problema não fica. Mas era uma, [ __ ] mas dá dá não dá aquela coçadinha, fala: "Porra, ali tem um negócio que eu acho que >> é te falar, >> eu acho que dá vontadezinha de >> Não, mas tem uma coisa no gringo aqui assim, >> você não abre uma ideiazinha ainda ali e dá uma acordadinha de vez em quando." >> Não abro isso aí eu eu tirei esse vício mesmo.
>> Você não sente falta não, mano?
Cara, >> pô, vou te falar que >> te falar, eu tô com uma filha pequena e eu quero que ela aprenda a programar.
Daí eu comecei a brincar n programinha aí. Sabe quando você começa com as drogas leve?
>> Daqui a pouco o cara, [ __ ] preciso construir uma plataforma.
>> Daqui a pouco eu tô virando noite já codando assim. É, eu tô tentando manter distância, mas >> é, você tava conseguindo manter uma abstinência boa, cara. Você não pode tomar ter contato de novo.
>> Não, tô brincando de bloquinho por enquanto. Arrastando um bloquinho para cá, para lá. Cara, sabe, eu fiquei muito tempo sem, só trabalhando como executivo, né? Aí começou essa onda de AI. Aí eu falei: "Porra, velho, eu preciso dar uma uma olhada nisso daqui, né?" "Beleza, uma API, chama API, tem o prompt lá, já entendi como é que funciona o chat e pt e tal". Aí comecei a ver os frameworks, falei: "Pô, tenho L chain aqui, tenho semanticel, como é que eu faço esse bagulho?" Peguei o final de semana, cara.
Peguei um problema qualquer lá, peguei, fui lá, comprei um packzinho de longneck, botei na geladeira, botei minha tacinha do lado ali, cara, agora eu fico caçando problema para resolver com com Iá. Fal, cara, pô, eu consigo modelar assim e tal, eu vou fazer um tour agora.
>> Era igual no começo de quando você aprendeu a programar, né? Você voltou no tempo.
>> Exato. Agora, agora eu tô pensando, pô, vou fazer um MCP, né? Você vou fazer um MCP. Mas eu tenho uma boa resposta para isso. Que que acontece assim? Se você for ver, você tá caçando problema. E isso eu tô também, só que eu tô caçando outras classes de problema. Então o que eu vejo assim, por exemplo, eu comecei a gravar conteúdo e, cara, eu sou nerd, comunicação não é a minha skill número um, embora eu gosto de ensinar, sempre gostei. Meu time sempre fui professor, até brinco, eu não sou influenciador, sou professor, tô usando a internet para dar aula. Mas eh eu eu fui atrás de outros desafios. Então eu primeiro foi o desafio técnico, em um dado momento eu senti que a parte técnica eu sabia o suficiente. Daí eu fui atrás de ser um bom líder.
>> Uhum. Daí depois que eu consegui ser um bom líder, o que eu eu percebi dentro da empresa, eu comecei a atuar mais como mentor. Eu não queria mais liderar a pessoa para que ela fizesse bem o trabalho dela. Eu queria que ela atingisse o potencial máximo dela como profissional, independente se fosse dentro da empresa ou não. Eh, teve caso onde eu falei: "Cara, seu tempo aqui já acabou, assim, você tem que buscar novos ares". Você, né? E e não que eu tava demitindo ele, porque era um cara bom, mas ele precisava de espaço viver outras experiências. Então, o que eu acredito e agora eh desenvolvendo essa parte de comunicação é que eu mudo o problema. E e é interessante porque esses dias eu tava fazendo um pensando um pouco sobre isso e é como se fossem vidas diferente, porque se eu for olhar e o Juliano que codava é bem diferente do Juliano que liderava, que é bem diferente do Juliano que que mentora e do Juliano que se comunica. Então é como se fossem inversões minha e isso é isso para mim que gosta de um desafio, que gosta de um problema, tal, é interessante, é desafiante, é como se eu começasse de novo, >> só que não na mesma classe de problemas, >> numa outra classe.
>> E e tem uma coisa que eu aprendi muito com o tempo, é que eu sou muito paciente. Às vezes eu vejo as pessoas assim falando que querem crescer rápido, seja a empresa, na carreira, na rede social. E o o cara que me acompanha, que me ajuda no marketing, às vezes ele fica meio ansioso assim do tipo, não fazer tal coisa assim. Calma, eu acredito muito que a construção de coisas grandes, ela é tijolinho por tijolinho, ela é gradual, consistente e vai dar certo. Então a ansiedade ela só é só cria um problema extra onde não precisa.
E eu eu com o tempo, já tem bastante tempo que eu eu amadureci nisso de que eu acredito que a constância é o devagar e sempre ali que vai trazer o resultado.
>> É, mas não bate uma vontadezinha de você, [ __ ] queria fazer um debug em Java aqui.
>> Nossa, Java não, cara. Java, cara, >> pegar um stack overflow aqui, ó. Tipo, >> nossa, >> cara, agora chatt, né, que você pode pegar lá, >> vou te falar. Se eu gosto do Java, honro o Java.
Mas o Java me trouxe muito problema também, cara. Você tá ligado que o Java é meio pesadinho, tem regra para todo lado. Você >> Sim. Não, eu tô, obviamente, tô brincando aqui, mas a gente hoje tem stacks muito mais leves, etc.
>> E e tanto que no gringo quando foi começar eu fui o contra o Java. Eu eu não eu não eu não sou. Um abraço pro meu amigo Valdir, que é o o nosso Java, que grava sempre com a gente aqui.
>> Eu eu comecei também no Java hoje eu sou o cara do Node para >> Exato. Node. Mas olha só, eu eu não fico preso no passado. Isso tem a ver com as várias fases que eu falei. Daí quando eu fui começar o gringo, eu falei assim: "Cara, na boa, o Java tem as suas qualidades, mas hoje em dia tem como ainda mais numa lógica de teste rápido, >> tem que ser mais efetivo." Eu coloquei os meus javeiros lá porque a galerinha veio do iFood e falei assim: "Cara, vamos fazer uns testes em node aqui". A galera ficou encantada como que eles rapidamente conseguiram um teste para rodar. Eu falei: "É isso". Eh, e era uma galerinha também assim pouco eh pouco presa na ah somos javeiros e ponto cabô.
E daí é doido, porque eu particularmente acredito, até a brincadeira que eu fiz com o PHP, eu acredito que toda a tecnologia dá para ser usada e inclusive eu estimulo isso porque ajuda a entender mais concretamente como funciona.
>> Cada problema tem a sua ferramenta correta, né, cara? Exato. E e olha ó que doideira. A gente no iFood usava Java, no gringo Note, o a cloud era WS, a gente foi para GCP e o e o banco de dados era POS que foi para MAI. Então, e assim, eh, eu vou te falar que quando a galerinha é boa, ela se estimula por aprender.
>> Sim.
>> Ela vai, >> porque no fundo os conceitos são os mesmos, né, cara? você não, ou você é desenvolvedor e arquiteto ou você é piloto de de de plataforma. Exato.
>> E piloto de de de linguagem, né? Então tem que aprender a a aplica. A mesma coisa você é um bom autor, sempre faço essa essa essa analogia. Você é o JR Token. Você tá fazendo uma [ __ ] história medieval.
Você sabe escrever uma mensag uma uma história, sabe criar uma história, mas você só sabe escrever ela em inglês. Se você aprender uma outra linguagem, você não vai conseguir escrever ela com a mesma qualidade, com a mesma o mesmo enredo. É a mesma coisa, cara. a gente tem que ser agnóstico em relação a à ferramenta.
>> Até porque isso até até porque isso é até perigoso, né? Porque, cara, a tecnologia vai evoluindo muito, como você falou, eu eh eu trabalhei na SAN, que foi um dos criadores do Java, né? E na época, aquela época realmente o Java era muito usado, mas era pesado.
>> E e anos depois establ uma outra empresa que o pessoal usava node, que era, cara, muito mais fácil, muito mais leve, né? E >> e resolvem problemas semelhantes, né?
Então essa questão da da pluralidade de tecnologia, cara, ela é essencial, principalmente num nível mais eh executivo, onde você tem que saber aplicar a melhor solução pro pro problema correto, né, cara?
>> Mas teve uma coisa que nisso a gente foi meio radical, é do tipo, porque às vezes eh o time começa a querer usar diferentes stacks para diferentes problemas e viram uma casa da mãe Joana, né? E e duas pessoas do nosso time tinham vindo do quinto andar e tinham tido uma experiência ruim lá nisso aí.
de que para mudar uma funcionalidade tinha que passar por quatro texs assim, tinha que passar por uma, depois para outra, para outra. Então, uma coisa que a gente tinha clareza é que assim, a tecnologia escolhida não era o determinante pro sucesso nosso. A gente só queria algo que fosse eh da nossa geração, fosse rápido, funcionasse bem, seguro, tal, que funcionasse, mas a gente não queria fazer uma sopa de letrinha, não queria.
Então tinha, é, tinha uma coisa que a gente era dura ali, então quer trazer uma tecnologia nova, justifique. Você precisa justificar fortemente perante os outros envolvedores que é necessário colocar aquilo para resolver aquela dor.
E ninguém conseguiu em nenhum momento.
Então a gente foi de ponta a ponta com stack primário ali que a gente chama. A gente tava disposto a abrir espaço para um stack secundário, se fosse necessário, mas não fo >> desde que necessário, né? Exato. Não foi, ô >> Julino, eh, ainda voltando no tema do do iFood, eh, vocês tinham uma estratégia de usar tudo open sourcer ou tinha em algum momento, putz, eu vou usar já, sei lá, algo, plataforma pronta, mais rápido, mais ágil, qual era a filosofia que vocês tinham lá? Porque isso eu te pergunto isso porque eh vira e mexe, né?
Eu na fase de startup e como converso com outro outro outras startups, tem sempre esse dilema. [ __ ] vou para começo o open source ou já pego um produto pronto e foco mais no problema e não na tecnologia, né?
Ó, o a minha natureza do meu sócio, que também fez Unicamp era era tentar resolver no open source primeiro. Eh, tanto que o Java foi nessa natureza, né?
O Java nasceu de um consórcio de várias empresas e tal. Daí a Microsoft rompeu com o consórcio, criou o DNET.
Então, eh, de certa forma, o Java por um tempo foi a consolidou o mercado, né?
Teve um pequeno período onde era a solução era a Java e pronto, acabou.
Tinha os Pearl também, né? Mas era nossa, cara, >> mas o Pearl era era tipo o embrionário do embrionário e tal, aquela porcaria >> e porque ela era muito incipiente, muito desestruturada, era muito simples e daí vinha o Java. Então assim, eram dois opostos, então era fácil escolher, só que depois abriu o leque, né? Daí começou, daí foi um momento onde abriram várias tecnologias e tal, mas a gente sempre optou por opence. O, por exemplo, a gente jamais teria optado pelo Oracle lá no começo. Foi foi uma herança que a discuk tinha lá dos sistemas internos dela. Então, foi nessa linha. até mesmo Windows. A gente nunca foi numa linha de servidor Windows. Eh, já teve casos onde a gente teve que gerir servidor Windows e não não foi não é uma direção que a gente acredita. A gente >> e hoje é o padrão é a gente trabalhar com servidores web, principalmente Linux, né? Exato. Menos que você tenha um louquinho ali de >> Mas teve uma época onde era bem normal ter servidor Windows. Eh, os hosts de PHP eram muitos deles em Windows.
>> É verdade. Verdade.
>> É, eu lembro que a a dificuldade nossa eh até lembrei de uma coisa lá no começo da minha empresa de serviço, a gente tinha muita dificuldade em achar alguém que hostasse Java em Linux, >> cara. E e pr você pensar hoje, é >> é quase impossível você encontrar o contrário, né?
>> É.
E daí a gente teve que fazer amizade com um cara que tinha saído da local web e criado um host chamado World. Um abraço pro meu amigo Daniel Ginêz que criou a empresa tal e foi foi parceiraço nosso.
E se não fosse ele a gente não tinha nem onde hostear o negócio.
>> Caraca, que bizarro.
>> E E daí deu tudo certo.
>> E essa época era o quê? Is, o web server.
>> É, é tipo, >> rodava em iss e não era ache, né?
>> Tá. O que o que a gente usava muito na época lá do ZJB lá era eh, com >> Nunca vi uma P rodando muito, Tonquete, né?
>> É a parte com Tomcat, mas o normal você vê isso rodando em Linux, né?
>> É, é >> a parte com Tomquet.
>> Exato. E mas assim, e a gente é aquela história do timing, né? A história do timing. A gente chegou, a gente chegou no Java lá, mas o que aconteceu é não existia infraestrutura para rodar Java, não existia.
>> Eh, então o Java era uma baita solução, mas os hostings não estavam preparado.
>> Como é que você host um EJB para rodar numa nuvem com muitas aspas aqui?
>> Exato. Tanto que o, eu não sei se você lembra da revista Java Magazine, Magazine, o meu sócio Gabriel mesma época da revista C Room, lembra?
>> É, exato. Bons tempos. Ah, não existia o Steck Overflow, era lá que a gente tentava achar a solução para os nossos problemas.
>> E o meu sócio Gabriel, ele escreveu um artigo, eu lembrei agora, na Java Magazine explicando esse nó, que é como que você fazia para hostear, amarrar o Tomcat, o Apache e mais uma coisa ali que eu não sei o que que era, porque era um nó isso não era muito difícil, era um quase um milagre fazer isso funcionar. E e a gente ainda contou com o parceiro nosso lá que abriu o hosting dele pra gente fazer funcionar. Então era um tempo que você tinha que construir tudo, né? E ajudar até o hosting a >> cara que loucura.
>> Preparar o ambiente ali. Você vê como é fácil. Hoje você aperta um botão, já tem 100 máquinas.
>> Pois é, cara.
>> Pois é. Você sobe um cluster cubernetes com 50 pods, >> scale assim. E e e e sem dúvida, hoje também a quantidade de plataforma que você tem para você conseguir e lançar algo é muito maior do que naquela época 2011, cara, 2012, enfim.
>> E isso isso também até tem a ver com uma pergunta lá que você falou da época do gringo e do iFood. Isso muda tudo, né?
Porque lá atrás você tinha que construir o seu próprio ambiente, né? As primeiras empresas de internet no Brasil, elas tinham que construir o gate de pagamento. Então é assim, >> cara. Verdade.
>> Ô, olha como que eu não era tão claro para mim, mas assim, pensa quando os caras criaram submarino, ele teve que criar uma Stone lá dentro, porque ela tinha que criar uma adquirência, um processador gate de pagamento, ela tinha que criar o próprio antifraude, ela tinha que criar o próprio cloud, que não existia, então ela tinha que hostar o negócio.
>> Então, é como se você, para fazer uma empresa, você tinha que fazer toda a infraestrutura, então era muito mais lento. Só que isso traz uma coisa, >> a barreira de entrada era gigante. como que você como o caminhão de dinheiro e o tanto de tempo que você precisava para tirar o submarino do chão. Agora, com tudo pronto, com clique, ainda mais com AI, você consegue copiar rapidamente em um mês, dois meses, três meses. Então, a tecnologia deixou de ser barreira de entrada.
>> É commodity, né? E e agora a barreira de entrada é outra de negócio, né? É, é o que eu tenho visto assim com quando eu converso com investidores, com com empreendedores, é que a barreira de negócio hoje são os canais de distribuição, a marca é a camada mais de business.
>> Uhum. E daí a galera tecnologia tem que ficar atenta nisso, que obviamente o fato de ter virado comoditizado não significa que perdeu a importância, mas é que você rapidamente tem que entregar e entender que eh a parte de negócio é mais importante.
Então o a galera de tecnologia, eu sempre falo isso, a galera de tecnologia é muito inteligente, porque é muito lógica e às vezes eles não se aventuram, não ajudam a área de negócio. E eu sempre estimulei os meus times a pensarem muito no produto, a pensar muito no negócio, porque são pessoas inteligentes que elas conseguem entender como faz, se elas entenderem para que que tá fazendo e juntar as duas coisas, isso pode ser muito poderoso. Então eu sempre estimulei os meus times. Hoje acho que é mais importante ainda isso.
uma vez que fazer a tecnologia tá cada vez mais fácil, o cara de tecnologia tem que entender cada vez mais de negócio, porque a forma como o produto é colocado, a forma como a aquela feature foi construída, eh, pode fazer muito mais diferença do que a parte técnica em si, né?
>> É, porque a tecnologia pela tecnologia ela não traz valor, né? Ela tem que ser aplicada em alguma coisa. Ela é sempre o meio, não fim, né? Exato.
>> Então, e e nós como profissionais de tecnologia temos o dever de saber como aplicar e levar pros profissionais de negócio as possibilidades, o que pode ser feito. Exato. Engraçado isso. Vocês estão falando que eu vi hoje, exatamente hoje, um tem um é um vídeo do Steve Jobs em alguma universidade, acho que nos anos 80, que ele falava exatamente isso.
Alguém na plateia fez uma um questionamento de uma funcionalidade técnica tal que ele não tinha.
E aí, cara, curioso a forma como o Steve Jobs respondeu. Primeiro que ele, cara, ele ele esperou alguns segundos, acho que para maturar o que que ele ia responder ele e ele falou exatamente isso. Cara, a gente olha o usuário, eu não tenho que olhar o a tecnologia, a funcionalidade, porque se o usuário não usar, >> exato.
>> Se eu não me engano, foi um engenheiro da Apple, né, questionando ele.
>> Se eu não me engano, é um engenheiro da própria Apple questionando esse Jobs no lançamento. É, eu vi que eu só vi um recorte da então não sei onde que era, mas exatamente isso. E aí ele falou: "Cara, a gente tem que focar no usuário, é ele é o usuário que tem que falar pra gente, não a gente querer impor a tecnologia, né?" >> Mas a gente passou por essa fase, né?
antes da dita transformação digital, onde fato o usuário começou a ficar no centro e a gente começou a visar e a a ter uma visão de tecnologia como meio do negócio.
A tecnologia sempre foi um tirador de pedido e que visava os próprios meios, a excelência operacional da tecnologia e não o fim, né? não é entrega de negócio. Por que que eu por que que eu estou criando aquilo? Por que que eu estou viabilizando aquilo, né? E e e o que a gente percebe já no no mundo hoje é que a tecnologia ela é um impulsionador do negócio, né? Assim como um consultor financeiro é um impulsionador de negócio, etc. E que tudo é negócio, né?
Então eu acho que essa mística do ultra técnico, eh, que não fala de negócio que você passa a comida por baixo da porta, tá cada vez mais, não é mais com aá, >> é isso que eu ia falar, >> ela tá cada vez mais com a, porque se você for ver, a interação do desenvolvedor com a IAI é quase um levantamento de requisito, né? ele se afasta do código e trabalha muito mais a questão. E tem uma coisa que eu acredito que é uma doideira, mas acredito fortemente nisso, que se fala muito que com a IIA um desenvolvedor produz por cinco, né? e que isso pode gerar um desemprego, alguns desenvolvedores ficarem sem ocupação. Mas eh olhando pro mercado startup, o que eu acredito fortemente é que o que vai acontecer, na verdade é que a startup vai continuar contratando a mesma quantidade, só que a empresa vai andar cinco vezes mais rápido.
>> Sim.
>> É, pode ser que no mercado tradicional olhem mais sobre a perspectiva de custo, pode acontecer. Falar assim, cara, eu preciso fazer funcionar minha empresa aqui. Se ao invés de 100 desenvolvedores 20 der conta, é isso, pronto, acabou. Eu eu acho que vai nessa linha.
>> Isso é uma grande discussão. Daria um outro episódio, mas eu entendi o teu ponto de >> Mas a startup, lembra aquilo que eu falei? Qual é a maior, qual é o grande diferencial competitivo de uma startup?
A velocidade.
É aia e velocidade. Então, se você me desse, levando em consideração que existe muito recurso para investimento em startup, eh, a, os investidores não vão colocar menos dinheiro, então o dinheiro vai vir. Óbvio que muito dinheiro, como a gente falou, a diferenciação tá indo para canal de distribuição, marketing, então vai ter que ir muito para marketing. Concordo.
>> Mas o se eu volto no tempo, a gente construiu bastante coisa no gringo em 5 anos, mas e se o meu time fosse cinco vezes maior em cada momento?
>> Você pode ter crescido >> cinco vezes mais produtivos, né? O time seria o mesmo, mas cinco vezes mais produtivo. Na prática, eu conseguiria ter construído muito, eu teria chegado muito mais perto do objetivo do Superep.
por exemplo, a gente não conseguiu construir o a tese de compra e venda. A gente tinha ela desenhada, mas não conseguiu tirar do papel. Na nossa tese de seguro, ainda tinha bastante coisa para consertar. Então, eh, muita coisa ficou no papel porque não tinha capacidade de execução e por foco a gente, >> provavelmente com uma IA você conseria a mesma equipe, você teria chegado a objetivos muito maiores do que você conseguiu naquele naquele momento.
>> Exato. O que a gente construiu em 5 anos, provavelmente a gente faria em 1 e meio do >> Uhum. E e isso significa colocar, criar mais valor mais rapidamente, porque o valor do gringo não tá na quantidade código, tá na tá no no valor que a gente agrega para os usuários. Então, se eu faço uma feature, eu agrego um valor. Se eu faço, se eu consigo ter cinco produtos, eu agrego cinco valores. Eu aumento o potencial de monetização mais rápido. Então, eu abro novas linhas de receita. Então, se você for falar, Julian, você preferia ter é 1/5to do time e feito a mesma história ou ter o mesmo time e ter feito cinco vezes mais?
Eu tenho a menor dúvida que eu faria o segundo, a menor.
>> E assim, é aquilo que eu falei, o pensamento tradicional de startup são diferentes. Eu creio que eu conseguia entender como ambos pensam. Por isso que eu acho que a empresa tradicional vai para uma direção e a startup vai para outra. E isso vai aumentar o abismo de inovação entre elas. Naquela linha que eu falei que a startup é o laboratório da grande empresa, porque depois ela compra, mas vai acentuar esse abismo. E minha minha leitura é essa.
>> Eu eu eu quero >> por causa da por evolução da >> e os novos modelos de negócio que vão surgir certamente também com a EA. Aí >> eu quero fechar esse esse capítulo aqui que a gente tá falando sobre IA e sobre um comentário final que muitas pessoas falam: "Pô, mas o o código da IAI ele pode ser ineficiente e tal". tem questionamento sobre isso, mas eh quando a gente fala sobre output de negócio, que é o que vale na na no fim da da no frig no frigir dos ovos, né, Juliano, e a gente olhar para outros mercados, como por exemplo, engenharia, etc., A gente tá evoluindo a tecnologia em um ponto que a gente precisa ter outro guidance e não simplesmente só eficiência de código. A gente passou por um tempo onde eu tinha que ter uma programação extremamente eficiente, porque eu tô programando com e pronto 64K de memória, etc. Eu tinha que ser minucioso nisso, mas a gente tá no momento de tecnologia onde a gente tem abundância de recurso, seja em nuvem, a tecnologia é barata, o recurso é barato, que compensa o tradeoff de eu ter eventualmente uma entrega menos eficiente para gerar uma eficiência de negócio.
>> Embora seja menos eficiente, pense em outra perspectiva, é aonde que a o código vai ser mais padronizado, feito por humanos ou feito por uma.
Exatamente.
>> Então assim, eu concordo no que você falou da da eficiência, né? Mas em termos de padronização é muito difícil.
Você você já deve ter participado de times do tipo assim: "Galera, vamos básico, tá? Vamos pelo menos combinar que as variáveis vão ser minúscula, esse aqui vai ser que meel case e tal." A hora que você vê o cara me monta um arquivo com underline lá, fal assim, cara, >> variável.
>> É assim, você fala assim, cara, a galera tem dificuldade de seguir padrão do tipo assim, ó, assim, segue o mestre, só faz o que já tá. E daí o cara vai lá e cria um negócio diferente. E daí às vezes não é tão fácil desfazer examente >> porque daí já subiu no servidor, daí tem que >> E aí você gera um problema de governança, etc. Exato. Então assim, mas eh o que eu tô querendo dizer é, de fato, algumas coisas vão ser pior, mas outras vão ser melhores, porque você consegue fazer com que o código seja documentado. Raramente um desenvolvedor eh documenta, você consegue criar alguma, alguns padrões, as variáveis vão seguir esse padrão, os métodos, o nível de o nível de eh esqueci o termo, onde de granularidade que você vai dar pros métodos, porque você vai ver um desenvolvedor tenta resolver tudo num método linguiça de 100 linhas. fala assim: "Cara, vai ter uma regra aqui, eu quero fracionar assim". Então, a máquina ela vai ser mais objetiva e vai seguir e vai seguir as regras diferente do dos times.
>> É, e e sempre tem essa crítica de, [ __ ] mas nunca um cara tão bom vai fazer tão bem quanto a Iar não vai fazer, cara. Eh, a gente não está mais um nível de preciosismo, de de economizar MIPs, de CPU e etc. Cara, isso hoje é abundante. Então, é mais fácil você assumir um overhead maior de de computação e entregar pro negócio e ter resultado de negócio mais rápido do que você reduzir a sua entrega, ter menos resultado de negócio, porque você tem uma eficiência computacional que pro negócio é irrelevante, né? Então, queria só deixar esse disclaimer aqui pros nossos ouvintes, que a gente precisa virar o disco de que a computação não precisa ser mais ser mais ser tão artesanal, mas ela precisa ser mais prática, ser mais objetiva ao negócio, né? Isso eh você pode olhar sobre uma perspectiva de terceirizar todo o código para II, mas eh pensa numa lógica, um passo antes, né, de um copilot da vida, né? Isso é isso que eu quer esse ponto.
>> Acontece é o que eu vi na minha realidade é que os desenvolvedores mais experientes são muito mais resistentes do que os jovens.
>> Sim.
>> Porque fala: "Cara, mas eu sei" e tal. E daí o que eu falava pros resistentes, eu falei assim: "Cara, >> eh, vocês estão cortando árvore, você tem um machado muito afiado e manda ver, sabe derrubar bem uma árvore, mas a molecada tá vindo com motosserra".
Porque é uma ferramenta >> assim, você talvez eu consiga até derrubar a árvore melhor de um jeito mais seguro, ela vai cair do lado certo, tal, assim, tudo bem, mas assim, ó, como que você vai comparar essas duas ferramentas? Você cortando no machadinho versus alguém com uma moto sendo que você tem a pressão ali que que era a pressão do negócio, você precisa lançar rápido, >> tem. E aí se você dar uma motosserra pro cara que sempre cortou árvore bem, ele vai cortar muito melhor.
>> Exato. Então é, e todo os dois vão produzir cinco vezes mais. Só que esse aqui já produzia pouco por ser júnior.
>> Isso vai produzir cinco vezes mais do que ele já produzia, né?
>> Exatamente. Então eu eu vi eu vi que teve mais resistência, mas com o tempo não tem como não tem como brigar com os fatos, né?
>> Dá. Eu eu vou te falar porque eu já fui mais eu fui resistente quando eu quando eu comecei a entender de fato como isso funciona eh no detalhe. É por isso que eu falei: "Porra, eu eu gosto às vezes sentar e eu mesmo fazer". Eu fiz, cara, duas aplicações no nos últimos três meses usando AI. Falei: "Não, [ __ ] isso aqui realmente na mão de um cara que sabe o que tá fazendo funciona muito bem. Pode ser uma metralhadora na mão do macaco no cara que não tá preparado.
Pode ser >> qualquer coisa é, né? É, exatamente.
Você vai vai dar uma moto na mão de uma criança, ela vai cortar a perna do pai e cortar a perna da da mesa, mas na mão de quem sabe o que tá fazendo, cara, é um gatilho absurdo de produtividade.
Incrível. Até na na questão de interação com a fla em momentos fala: "Cara, mas isso aqui não vai dar certo". E e a experiência que eu fiz, Julina, foi muito pensando em como eu faria com per programming. Cara, isso daqui não vai dar certo. Você parou para pensar que talvez nesse caso de uso não funcione, cara. E aí a vai interagindo e tal.
Isso, isso é aí fica imaginando na tua época esses problemas que você relatou na época do iFood, se você tivesse, sei lá, um Copala de qualquer coisa da vida que pudesse te ajudar, cara, onde tá o problema aqui? Imagina, bicho, quanto quanto seria mais fáciles cresceriam muito mais do que crescer, né? Sem ter que consultar na Java Magazine.
É que muitos problemas, se você for ver, já foram resolvidos até numa geração antes com as soluções de cloud, muitas delas já nem existiriam, né? Com elasticidade maior e tal, >> porque na época a gente tinha que construir as soluções de escala, né?
>> Então é aquilo que a gente falou lá naquela que você tinha que construir a infraestrutura. Então não é que tinha um serviço auto scale, não. Você tinha que criar o mecanismo de auto sccale. Então só isso. Eu diria que só a nova geração de cloud já teria resolvido 80% dos problemas que a gente teve naquela época lá.
>> Até porque a projeção de escala deve ter sido muito grande, né, no começo.
>> Sim, sim. É o tinha época ali que a gente a hora que a gente foi confrontar os números, né, em um um noite ali, a gente chegava ter um período, a gente tinha a quantidade de pedidos de um submarino no mês todo.
>> Caramba.
>> Então era muito pedido concentrado em pouco tempo e muita coisa real time.
Então você juntava tudo >> scaling lá na nuvem. Se tivesse um outcaring funcionando, mas no começo não era scaring. Esse é o ponto. A gente tinha um servidor super hiper dimensionado.
>> Daí depois a gente quebrou alguns microsserviços e tinham duas, três máquinas. Não era auto sccan, eram duas máquinas, três máquinas. É porque você tem que ter capacidade ociosa para atender o pico, né?
>> Exato. Era uma máquina super hiperdimensionada.
E então por isso que eu comentei que muitos dos dos problemas técnicos teriam sido resolvidos com o cloud decente de hoje. Cara, que loucura.
Isso não, não, não. De novo, a gente tá falando aqui num num tempo muito curto, né? Estamos falando de décadas, estamos falando de 2000 11 para 2018, 3 anos, não, 7 anos de escala, mas o mundo de tecnologia mudou muito nesse tempo, né?
>> Sim, >> cara. Eh, eu poderia ficar aqui mais umas 3 horas conversando sobre todos os desafios que você passou nesse nesse momento aí de ter criado. Acho que dá para falar que é um dos principais unicórnios de de comida no no mundo hoje, né?
>> É, no é um dos 10 maiores do mundo e uma das maiores startups do Brasil, né?
>> Impressionante, né, cara? Aí você imaginava que você quando você pegou aquele oracle ali e falou: "Porra, eu vou eu vou eu vou tirar esse fax aqui, vou criar um web service". Você imaginou que chegaria onde você chegou?
>> Ó, confesso que não, porque o mercado não era não era grande. Eh, e só para você ter uma ideia, né? Os investidores que falaram não proes falaram assim: "O mercado, esse mercado não é grande, por isso a gente não vai investir".
>> [ __ ] o mercado de delivery de comida não é grande. O que que é?
Então, mas pensa que as pessoas não as pessoas não não tinham smartphone, não pedia pelo >> eh pelo computador, porque pensa só, você tá sentado no sofá, o que que é mais prático? Você pegar o seu celular, aqueles tijolão da época lá e e ligar e pedir, ou você levantar, ir até seu escritório, ligar o computador, conectar na internet, abrir um site, pedir.
>> Então, parece bobeira, mas era mais prático o celular.
>> Sim. Então, a >> ou telefone fixo na época.
>> Exato. Então, o nosso maior concorrente por muito tempo não era um outro player do mercado, era o telefone.
>> Cara, que bizarro, né? Porque hoje é a plataforma, né?
>> E o que mudou completamente isso foi o smartphone, porque aí você poderia continuar sentado no sofá, só que sem precisar falar com ninguém. Aí é bom demais.
>> Aí virou o jogo.
>> Exato.
>> Cara, que história fenomenal. Obrigado por compartilhar aqui com com a galera.
Dá para dizer que você foi o primeiro CTO do iFood?
>> É, eu fui, eu e o Gabriel, a gente dividiu esse papel porque a gente, em um dado momento quebrou a empresa em duas grandes operações, em dois grandes times. Eu e o Gabriel fomos os líderes técnicos, né?
>> Show de bola, cara. Que que história sensacional. Parabéns pela sua carreira, pela sua pela sua trajetória e por compartilhar aqui com a gente, né, Ronça? cara, é super rico. Eh, eu imagino, [ __ ] como você falou, tenho histórias de eh como você que ficaram aqui, né, de como você contratava o time, definanciando o time para o crescimento da empresa, essas conversas com o investidor na época, eh, esse momento de quando deu o salto, né? É que eu assisti uma outra palestra dele, ele comentou algumas questões do do salto, que foi exatamente quando o smartphone veio, aí [ __ ] deu um boom, mas enfim, aí tem que ser uma uma fase dois do podcast, >> não? Esse se você quisesse tá mega convidado aqui para continuar essa trajetória, essa história, porque você tem muito o que compartilhar aqui com a gente, cara. n e principalmente eh acho que é legal que aí é é a mensagem que eu também queria que você falasse eh pros futuros empreendedores que querem também montar startup nesse cenário, [ __ ] do que você já passou, coisas que você viu e e enxerga de cara os cuidados, dicas, enfim, que acho que valeria também falar pra galera aqui também, né?
>> Vou abrir um parênteses aqui para fazer mais uma pergunta, apesar da gente estar no encerramento, atrelado esse essa consideração do do Ron.
Eh, como é que a gente lida agora e como você vê esse mercado?
Eh, como o Ron falou, como você passa essa informação e essa orientação pro novo empreendedor no mundo onde hoje a gente tá com uma SELIC de 15% ao ano. O venture capital foi pra esquina porque o cara tá muito confortável em investimento não de risco, né? Então a gente teve o grande boom das startups aí com 2%ic, etc. Que muita gente queria um retorno mais rápido. Então o dinheiro tá escasso, né? A gente tá num racional uma uma racionalização do do contexto de tecnologia, do mercado de tecnologia.
Então a gente tá num mundo diferente. O que que você falaria para esse cara?
Primeiro falar sobre a questão do capital.
O mercado de startups teve um inverno que começou em aproximadamente, se eu não me engano, começo de 23 >> e e e durante 24 também foi bastante forte, mas esse mas voltou porque o que que acontece? A eminência do a partir do momento que o juros parou de crescer e existe uma eminência de redução, os investidores já começam a se posicionar na nova realidade.
>> Mercado tá sempre a posição à frente, né? Exato. E tem uma característica dos fundos de investimento que não é tão óbvio, que é o seguinte: imagina que o fundo ele já captou muitos e muitos bilhões. Ele tem duas coisas que ele pode fazer. Ou ele investe ou ele devolve.
E existe um incentivo para que os fundos investam. Por quê? Porque ele ganha percentual de administração e de resultado. Então, se ele devolver o dinheiro, ele ganha zero.
>> Agora, se ele alocar esse dinheiro, ele ganha uma taxa de administração mais uma taxa de sucesso. Então, existe um incentivo para que o investidor invista, mesmo numa situação adversa. Agora, o investimento de um fundo, ele precisa ser feito ao longo de 5, 6 anos para dar tempo de crescer e vender dentro de uma janela total de 10 anos. Então, o que eu tô querendo dizer? Existe muito dinheiro da desse que antecede ao problema do juros alto. Então, os fundos eles estão abarrotados, só que eles esperaram o pior passar e agora estão deploiando, né? Eh, investir nesse dinheiro. Então, tem muito dinheiro no mercado, tenho visto bastante movimento, tem tido grandes deals no momento, eh, para todas as etapas, tá? Desde uma empresa grande, média e pequena. E tem um ponto também que eh deixando claro, o que movimenta o mercado de startup são a as vendas de empresa, né? Uma venda igual o gringo, uma venda igual do Buscapé que aconteceu lá atrás, a venda do iFood, isso remunera os fundos e faz com que a tese se justifique. Até porque um fundo de investimento ele não precisa que ele não é montado para todos darem certo. É, se um em 10 der certo, a conta já fecha.
Então eu vou te falar que tem bastante dinheiro, tem eh os fundos eh não recuaram, então ah, reduziram a quantidade de fundos do Brasil, não aconteceu isso. E agora eles estão com apetite de novo. Então, tirando um pouco eh o esse inverno que aconteceu de 2 anos, eh a gente diria que a gente tá num momento favorável de novo, tá? Não é aquela euforia de 2022 ali, onde parecia que tava o Silvio Santos jogando dinheiro para cima. Quer dizer, o cara montava um um powerp e já tinha dinheiro na mesa já.
>> Exato. Sem exagero aconteceu isso, né?
Em 2000 em 2022. Não é esse cenário, mas também não é mais o inverno. Então a gente tá num momento, inclusive eu considero que é o é o é o ponto ótimo, >> que não é nem o da insanidade e nem o do extremo medo. É um momento bem bem bem racional. Isso é bom pro empreendedor, inclusive, porque se ele levanta dinheiro numa tese ruim, >> ele vai quebrar. Então é melhor que ele não levante. Isso é uma proteção para que ele não perca tempo de vida dele, energia, se descabele à toa. E daí a sobre o recado que eu queria deixar pro empreendedor, o que eu queria, o que me que me vê à mente aqui falar é sobre o pensar grande. Dentro da história do iFood, a gente captou dinheiro, 1 milhão de dólares. a gente não conseguiu crescer durante um ano e meio ali e isso é terrível para uma startup. Então a gente tá fadado a quebrar. É tanto que a gente demitiu 60% do time, pouco mais e a gente não a gente não tinha respostas.
Daí a gente recebeu um aporte da M e junto com o dinheiro veio o conhecimento e um dos conhecimentos >> famoso smart money, né? Exatamente. Foi Smart mesmo. O Fabrício, meu veterano de Unicamp, já era mais rodado, mais vivido. Então ele já tinha aprendido alguns caminhos das da das pedras que a gente não sabia. E uma das coisas muito claras para mim é o negócio do pensar grande.
Tem um, você já deve ter ouvido aquela história, né? Pensar grande, pensar pequeno, dá o mesmo trabalho. E eu ressignifiquei isso ao longo do tempo. E eu consigo afirmar, pensar grande dá menos trabalho. Não é que dá igual, é menos. Por quê? Pensa que se você tiver um projeto, é claro, pra sua realidade, né? Cada um tem uma realidade de projeto grande, né? Para não virar megalomaníaco. Mas pra sua realidade, se você pensar num projeto grande, eh, o grande o pequeno, aonde que você acha que o investidor vai querer participar?
>> No grande.
>> No grande. Imagina que você quer trazer um sócio, um cara bom para caramba, que você confia muito e tal, ele vai querer, ele vai topar, vi pro projeto pequeno ou pro grande? pro grande.
>> Então, o projeto grande, ele atrai recurso, atrai dinheiro, atrai talento, atrai parceiro, atrai o cliente, atrai tudo, atrai a atenção da mídia. A mídia não vai querer divulgar um projeto sem relevância. Agora, um projeto que pode impactar, ela vai querer divulgar.
Então, resumidamente, o projeto grande, ele atrai tanto recurso que é mais fácil de ser executado do que o projeto pequeno. E isso não é tão óbvio para empreendedor. Eh, ficou óbvio para mim quando eu saí do iFood e participei de um projeto de uma uma espécie de aceleradora, onde a gente participou de vários projetos e eu vi eles se debruçando em projetos irrelevantes, muito pequenos. Assim, cara, se isso aqui der certo, não vai chegar em lugar nenhum, não vai mudar a vida de ninguém, sabe? do tipo financeiramente falando assim, se der muito certo vai vender por 10 milhões, 20 milhões assim. Por que que a gente não bota a mesma energia no projeto que pode virar bilhões? a energia que eu tô botando aqui, eu não vou conseguir investidor, não vou conseguir gente, não vou conseguir [ __ ] nenhuma nesse negócio aqui e aqui eu vou conseguir. Então despertou para despertou para isso. Então a minha sugestão pro empreendedor é dentro da sua realidade olhe pro projeto grande. E aqui fazendo um parêntese, é pra sua realidade. Imagina o Elon Musk sai da faculdade, fala: "Vou criar uma empresa de foguete". não vai dar certo. Ele precisou subir os degrauzinhos do empreendedorismo para chegar nesse nível. Então, o projeto grande para mim é um, para você vai ser outro, para você vai ser outro. Vai depender do nosso nível de maturidade, mas sempre que você puder escolher entre o pequeno e o grande, vai no grande, porque você vai ter mais e facilidade de execução.
>> Mirando um teto e não na no meio, né?
>> Exatamente >> isso aí. Que aula. Obrigado, cara.
>> Valeu pelo convite. Foi bom, >> [ __ ] Obrigado, meu. Obrigado por ter vindo.
>> Excelente, Juliano. Obrigado pela pelas suas dicas aqui. Uma aula de empreendedorismo. Desceu no técnico aqui, ó. Mostrou que o cara é cientista da computação mesmo. Representou a categoria.
>> Não. E e legal porque, cara, imagina pessoas que estão assistindo o vão que vão assistir, na verdade, esse episódio, não tem ideia, cara, como é que foi a jornada lá lá atrás.
>> Sabe como é que o Food de hoje, mas como é que foi lá em 2011? os perrenges não tinha nuvem. Exatamente.
>> Então, cara, isso é muito legal.
>> Show de bola, cara. Obrigado mesmo, Juliano.
Mega bem-vindo aqui sempre que se você quiser. Essa mesa, esse microfone sempre aberto aqui.
>> Estamos junto >> para você tá com a gente, cara.
Obrigado.
>> Valeu.
>> Valeu. Obrigado.
>> Você que acompanhou a gente, muito obrigado pela sua audiência até aqui. Se você ainda não deixou o like, se você não não deixou nenhum comentário aqui e não se inscreveu no canal, é sua última oportunidade antes de acabar esse episódio. Então vai lá, se inscreve. Se você acompanhou até aqui, você tá cheio de informação, né, Ron? teve aqui uma uma aula aqui a por favor se inscreva, deixa o seu like, deixa o seu comentário para aumentar o nosso alcance desse episódio para outros ouvintes, né? Compartilha com os amigos, >> compartilha aí no Slack >> para aquele cara quer empreender. Pô, isso aqui é um super uma aula, uma inspiração. Então, eh, e se você puder contribuir ainda mais, você pode ser membro do PPT no CPIL e contribuir aqui com valor mensal pra gente eh contribuir com a cerveja do Ron, que ele não bebe nunca, mas eu bebo, né? e e e toda essa estrutura para poder manter a gente criando conteúdo cada vez mais relevante de forma gratuita para vocês. Se você não pode contribuir dessa forma, você já contribui demais compartilhando o episódio, deixando o seu like e fazendo a nossa comunidade crescer. R, obrigado novamente.
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